Fichas sobre o Concílio Vaticano II e seus documentos.


Ficha 1 – História: O que é um Concílio?
·         3 de agosto
·         por Equipe A.V.F.
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Fichas Vaticano II
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Ficha 1 – História: O QUE É UM CONCÍLIO?

A palavra “Concílio” significa assembleia reunida por convocação e, na Igreja, um concílio sempre teve como objetivo discutir, definir e deliberar sobre questões de doutrina, fé, pastorais e costumes. Antes do século XIX, os concílios eram convocados pelos imperadores e, somente a partir do Concílio Vaticano I, eles passam, então, a ser uma reunião dos bispos convocados pelo papa.

O texto de At 15,6-35, que narra o encontro dos apóstolos reunidos em Jerusalém, onde discutiram a questão da disciplina a ser aplicada aos judeus-cristãos e aos pagãos convertidos à fé cristã, pode ter sido a inspiração para a realização dos concílios. Segundo este texto bíblico, após apresentada a questão, eles a discutiram e depois rezaram invocando o Espírito Santo que suscitou o que eles deviam fazer, e todos acataram aquela decisão como vontade de Deus. Apesar deste encontro ser chamado de “Concílio de Jerusalém”, ele não pode ser considerado um concílio, pois esta nomenclatura passou a existir somente depois do Concílio de Nicéia, no ano 325, o primeiro Concílio da Igreja.
Ao longo do tempo, até os dias de hoje, a Igreja Católica realizou vinte e um Concílios Ecumênicos (Ecumênico aqui no sentido de universal ou global, com representantes da Igreja de distintos lugares, bem como quanto à doutrina e costumes eclesiásticos aceitos como norma para toda a Igreja Católica). Para conhecê-los, clique aqui.
Uma pergunta que talvez possa intrigar é: Por que aconteceram tantos Concílios?
A Igreja possui duas naturezas: a divina e a humana. Enquanto instituição terrena, ela é circunstanciada pelo tempo e pelo espaço, e é conduzida por homens que, embora ajam em nome de Deus, são humanos que pela unção do Espírito Santo, buscam acertar. Ao longo da História, para cumprir sua ação evangelizadora, a Igreja procurou se fazer presente no mundo e, com a sua experiência, contribuir na construção da sociedade. Isto implicou em constantes adaptações no seu modo de ser e de agir pastoralmente, o que, consequentemente, exigiu novas formulações doutrinárias, marcando a sua história e, inclusive, a história do ocidente. Por outro lado, sob a ótica da fé, a existência de vinte e um Concílios demonstra a força do Espírito Santo que suscitou novos modos de interpretar as verdades da Revelação para que a Igreja de Cristo continuasse presente no mundo.
As decisões de todos os Concílios foram incorporadas na vida da Igreja, e fazem parte dodeposito fidei, ou “depósito da fé”, que é preservado pelo Magistério da Igreja. Os estudos dos concílios mostram que certas questões que num determinado tempo provocaram grandes discussões, hoje são pacíficas, como por exemplo, a questão se Jesus de Nazaré era humano ou divino. É difícil imaginar como isso inflamou os ânimos dos participantes do primeiro Concílio de Nicéia! Na fé, a Igreja reunida no primeiro Concílio da História definiu a consubstancialidade de Jesus, isto é, ela reconheceu, simultaneamente, a humanidade e a divindade  de Jesus Cristo.

Um Concílio não nasce da noite para o dia. Todos foram convocados depois de um longo período de reflexão e, até mesmo, de resistência da Igreja às novas interpelações da sociedade. O Magistério da Igreja, exercido pelos bispos, é responsável pela conservação da doutrina cristã e, justamente por isso, a convocação de um Concílio acontece para tentar impedir que as mudanças sociais modifiquem o modo de pensar e agir dos cristãos.
Os dois últimos Concílios que precederam o Vaticano II, Concílio  de Trento (século XVI) e Vaticano I (século XIX), demonstraram a reação da Igreja diante dos diversos questionamentos que a sociedade moderna lhe fazia. O Concílio de Trento foi mais uma resposta da Igreja às questões de fé, especialmente sobre os sacramentos e a pastoral; enquanto que o Vaticano I  versou sobre a autoridade da Igreja, posicionando-se contra o liberalismo econômico e político, os progressos científicos etc. Não obstante a isto, algumas nações europeias adotaram regimes políticos republicanos e aboliram o Catolicismo como religião oficial do Estado. No início do século XX,  mais preocupada com seus problemas, a Igreja não foi capaz de perceber as mudanças sociais causadas pelo capitalismo, que acabaram desencadeando as duas guerras mundiais nas quais países cristãos se destruíram mutuamente. Às vésperas do Concílio Vaticano II, muitos constatavam que a Igreja precisava se renovar, pois o zelo exagerado pela disciplina eclesiástica, pelas normas canônicas e ritualistas estava comprometendo sua missão no mundo.
Paradoxalmente, ainda no século XIX,  assistiu-se uma tímida, mas significativa abertura,  que alimentou as esperanças de novas perspectivas teológicas e eclesiais, com o papa Leão XIII (1810-1903), que incentivou a pesquisa e o estudo dos textos originais da Bíblia – em hebraico, aramaico e grego – e os textos patrísticos, também chamados textos dos Santos Padres. Com isso, logo no início da primeira metade do século XX, surgiram vários movimentos que podem ser vistos como causas remotas ao Concílio Vaticano II. O estudo da Bíblia deu origem ao Movimento Bíblico, que rompeu  com a rigidez de um único sentido literal dos textos bíblicos, trazendo avanços na compreensão da inspiração e da interpretação dos textos. O estudo dos textos patrísticos deu origem ao Movimento Litúrgico que buscou resgatar a liturgia dos tempos antigos, profundamente cristológica (Cristo é o centro), e essencialmente mistagógica, isto é, catequética e espiritual orientada para o mistério de Cristo. Este resgate denunciava a rigidez e a formalidade da liturgia da época. Paralelamente a estes dois movimentos, surge o  Movimento Teológico, como tentativa de refletir teologicamente as experiências do homem moderno diante dos avanços da Ciência, da História, da Literatura e da Filosofia que sempre foram negados pela Igreja. Este Movimento idealizou uma teologia que propiciasse uma moderna compreensão global da existência, da transcendência e do espiritual.

Desde o início do século XX, houve também grandes esforços dos Movimentos Ecumênicos, principalmente entre os protestantes que cada vez mais questionavam a Igreja Católica, de tal forma que, timidamente, dentro da Igreja começam a aparecer simpatizantes da causa, até que em 1960 foi criado o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos que, depois do Concílio Vaticano II, tornou-se Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A partir destes movimentos, o termo “ecumênico” passou a ter o significado pelo qual o entendemos atualmente: movimento entre diversas denominações cristãs na busca do diálogo e cooperação comum, buscando superar as divergências históricas e culturais a partir de uma reconciliação cristã que aceite a diversidade entre as Igrejas.
Ao se defrontar com o crescente fenômeno da urbanização e da secularização, a Igreja também sofreu mudanças. Até então, sua pastoral se orientava, sobretudo, para o meio rural e agrário e os novos desafios da cidade encontraram um clero despreparado. Com relação ao mundo operário, a Igreja, por meio do papa Leão XIII, ao procurar dar respostas às questões sociais, principalmente ao mundo do trabalho, abriu espaço para o chamado Movimento Social, que recentemente foi identificado como a origem da Doutrina Social da Igreja. Por fim, a Instituição foi percebendo que nos muitos espaços do mundo moderno, aos quais a Igreja não tinha acesso, havia leigos cristãos. É neste contexto, portanto, que surge a Ação Católica como um dos mais importantes Movimentos Leigos da  História da Igreja. Ela tinha como projeto cristianizar a vida pública, através dos leigos orientados pelo clero, e era vista como um exército pacífico a serviço de Cristo Rei, na implantação do seu Reino.

Todos estes Movimentos trouxeram a questão da modernidade para dentro da Igreja, como desafios que emergiram para que ela saísse de uma suposta estabilidade conservadora e abrisse espaços para um diálogo com o mundo moderno. Assim, na segunda metade do século XX, não restava alternativa às Igrejas cristãs, a não ser assumir a necessidade de mudanças internas. Estes diversos fatores influenciaram na convocação e na orientação do Concílio Vaticano II, que possibilitou uma modernização eficaz da Instituição, com a finalidade de tornar viva e atual a mensagem de esperança do Evangelho,  para atender melhor as exigências dos novos tempos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COMBLIN, J. Um novo amanhecer da Igreja? Petrópolis: Vozes, 2002.
CECHINATO, L. Os 20 Séculos de Caminhada da Igreja. Petrópolis, Vozes, 1996.
COMPENDIO DO VATICANO II Constituições, Decretos, Declarações. Rio de Janeiro: Vozes, ed. 4ª 1968.
LORSCHEIDER A., LIBÂNIO J. B., COMBLIN J., VIGIL J. M., BEOZZO J. O. Vaticano II 40 Anos Depois. São Paulo: Paulus, 2005.
MATOS, H. C. J. Caminhando pela História da Igreja. Belo Horizonte: O Lutador, V. III 1996.
________, ANTONIAZZI A. Cristianismo 2000 Anos de Caminhada. São Paulo: Paulinas, ed. 3ª, 1996.
Referências Eletrônicas.
João Batista Libanio:  A memória do Concílio Vaticano II
Perguntas para reflexão:
1.    O que você não sabia sobre os Concílios e o que mais chamou sua atenção?
2.    Diante das colocações acima, você acredita ser importante para os leigos, conhecer mais a história da Igreja? Por quê? E, como você entende agora, a atuação  e as resistências da Igreja, frente ao mundo?
3.    Qual a importância do estudo dos Concílios para as pastorais?


Ficha 2: O Evento “Concílio Vaticano II”
·         17 de agosto
·         por Equipe A.V.F.
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Ficha 2 - História: O EVENTO CONCÍLIO  VATICANO II 
Em 25 de Janeiro de 1959, o beato papa João XXIII (1886-1963) surpreendeu o mundo e toda a Igreja com o anúncio e a convocação do vigésimo primeiro Concílio Ecumênico, conhecido como Vaticano II, porque acreditava-se que seu pontificado seria breve, de transição. Mas, ao contrário do que se pensava, ele convocou o Concílio porque teve a lucidez do momento histórico em que atravessavam a Igreja e o mundo. Ele desejou realizar um Concílio para que a Igreja se atualizasse e instaurasse um diálogo pleno de esperança com a toda  humanidade. Prova isso, a expressão “homens de boa vontade” que ele, constantemente, usou para demonstrar sua abertura para com todos que acreditavam na construção de um mundo melhor.

Desde o momento em que o Papa manifestou a um grupo de cardeais a ideia de realizar um Concílio, pode-se dizer ele começou a ser preparado, embora tenha sido convocado somente em 25 de dezembro de 1961 e iniciado em outubro do ano seguinte. Neste período, foram criadas várias comissões com a finalidade de sugerir temas a serem discutidos.
O evento Concílio Vaticano II teve início em 11 de outubro de 1962 e conclusão em 08 de dezembro de 1965, e foi realizado através de quatro sessões que aconteceram sempre entre os meses de setembro a dezembro desses anos. O beato papa João XXIII  participou apenas da primeira sessão, pois morreu em 3 de junho de 1963.  Paulo VI tornou-se papa em 21 de junho de 1963 e convocou, para setembro do mesmo ano, a segunda sessão, participando também das sessões seguintes e da conclusão do Concílio que definiu 16 documentos,sendo eles, quatro Constituições, nove Decretos e três Declarações.
As Quatro Constituições são: Lumen Gentium (LG) (21-11-1964) – sobre a natureza da Igreja e sua missão universal. Dei Verbum (DV) (18-11-1965) – sobre a Revelação Divina e de sua transmissão. Gaudium et Spes (GS) (07-12-1965) – sobre a Igreja no mundo de hoje. E Sacrosanctum Concilium (SC) (04-12-1963) – sobre a Liturgia e os Sacramentos.
Os Nove Decretos são: Unitatis Redintegratio (UR) (12-11-1964) – sobre o ecumenismo. Orientalium Ecclesiarum (OE) (21-11-1964) – sobre as Igrejas Orientais Católicas. Ad Gentes (AG) (07-12-1965) – sobre a atividade missionária da Igreja. Christus Dominus(CD) (28-10-1965) – sobre o ministério pastoral dos bispos na Igreja. Presbyterorum Ordinis (PO) (07-12-1965) – sobre o ministério e a função dos sacerdotes. Perfectae Caritatis (PC) (28-11-1965) – sobre a atualização dos religiosos e Institutos de Vida Consagrada. OptatamTotius (OT) (28-11-1965) – sobre a formação presbiteral. Apostolicam Actuositatem (AA) (18-11-1965) – sobre os leigos. E Inter Mirifica (IM) (04-12-1963) sobre os meios de comunicação social.
As Três Declarações são: Gravissimum Educationis (GE) (28-11-1965) – sobre a educação cristã. Dignitatis Humanae (DH) (07-12-1965) – sobre a liberdade religiosa e sobre os direitos da pessoa humana. Nostra Aetate (NE) (28-10-1965) – sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs.

O Concílio teve como linhas mestras a atualização (Aggiornamento), o diálogo (comunhão – corresponsabilidade, participação) e a renovação (diaconia, serviço) como um novo modo de ser presença no mundo. Ele buscou promover o diálogo e a unidade de todos os cristãos, e a paz no mundo, além da valorização dos leigos. O seu ponto referencial foi Jesus Cristo, Profeta, Sacerdote e Pastor, que serviu como modelo de ação pastoral e evangelizadora da Igreja no mundo. Por desejo expresso do beato papa João XXIII foram convidadas as Igrejas separadas de Roma: Anglicana, Igrejas Alemãs, Escocesas e Orientais, das quais muitas responderam positivamente. Além disso, ele contou com a presença de alguns cristãos leigos como observadores e, sem sombra de dúvidas, foi o primeiro Concílio a receber tão numerosa participação de Igrejas e seus representantes, além dos leigos.

Sem mudar as verdades da fé, o Concílio promoveu uma renovação da Igreja. Convidou os fiéis a  olharem para o cristianismo a partir da sua origem, e a deixarem de lado práticas menos importantes adquiridas ao longo de uma caminhada de vinte séculos. O Concílio resgatou a centralidade cristológica da fé, especialmente  na Liturgia, para que o sentido pascal se tornasse mais evidente, e incentivou que as celebrações fossem  mais voltadas para a realidade do povo, mais participativa e comunitária. Porém, o mais importante foi a noção de Igreja apresentada como Povo de Deus, isto é, a Igreja formada pelo conjunto dos batizados e não somente pelo clero. Recupera-se o sentido do ministério eclesial como serviço à comunidade que deve ser exercido através do diálogo e da valorização de  todos os seus membros.
Idealizou-se uma Igreja menos jurídica e menos moralista, para ser mais profética e mais centrada na Bíblia que passou a ser mais lida, mais estudada, mais conhecida, destacando-se como fonte da pregação e da vivência cristã. Além  disso, valorizou-se o sentido do serviço e da corresponsabilidade.
O Concílio Vaticano II foi sem dúvida, para a Igreja Católica, o maior acontecimento do século XX, inaugurando um novo período de sua milenar História. Ele emergiu como o divisor de águas, fundamental para a Igreja, originando um processo de abertura, renovação e participação que foi determinante para as dioceses do mundo todo. Especialmente, na América Latina o episcopado conseguiu, ao longo desses cinquenta anos, criar um magistério próprio, manifestado nas quatro últimas Conferências do Episcopado Latino Americano (CELAM), sendo elas:  Conferência  de  Medellín  (1968),  Conferência de Puebla (1978), Conferência de Santo Domingo (1992) e  Conferência  de  Aparecida (2007). Como consequência do Vaticano II, a Igreja da América Latina  ganhou uma fisionomia própria a partir da Conferência de Medellín, que buscou interpretar o Concílio para a Igreja da América Latina, dando um salto qualitativo pela explícita opção pelos pobres e lançando sementes de uma Igreja mais popular, como as Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s).

As CEB’s revelam uma Igreja mais comunitária, mais embasada na Bíblia, através  dos círculos Bíblicos que multiplicam a experiência de pequenas células no interior da Igreja. Muitos destes grupos passam a se dedicar às Pastorais Sociais, aos movimentos de luta e às reivindicações populares. Com tudo isso, a Igreja da América Latina definiu uma identidade eclesial que é fruto da concepção de Igreja como Povo de Deus.
A interpretação libertadora do Concílio Vaticano II fez história na América Latina em termos de Teologia, de estruturas de Igreja e de práticas pastorais. Surgiu, neste momento, uma Teologia Latino-Americana que recebeu o nome Teologia da Libertação porque desejou dialogar com outras instituições e pensadores do campo social e político que, igualmente, desejavam contribuir para a libertação de todas as injustiças, e propunha que o pobre assumisse o ser sujeito da história  para mudar a sociedade.
Diz-se que o Vaticano II abriu as portas da Igreja para o mundo e permitiu que o Espírito Santo renovasse todo o seu interior pelo diálogo e pelo acolhimento do mundo moderno. Um Espírito de renovação e de acolhimento, que continua a soprar ao seu Povo, como uma brisa por toda a Igreja, dentro e fora de suas portas, marcando a vida e a vocação missionária de toda a Santa Igreja,  formada de homens Santos e Pecadores, mas que busca incansavelmente, a Santidade e o Reino de Deus.
Assim, os documentos que compõem o Vaticano II nos falam do Espírito Santo que é livre e sopra onde quer,  razão máxima da importância desse evento histórico do século XX, que continua a fazer história no século XXI.  Nesses cinquenta anos de suas propostas e disposições, ainda se busca a concretização e o justo entendimento em toda a Igreja, pois o Espírito Santo não para de soprar até que toda a Obra do Pai da Misericórdia seja completada. Daí a suma importância do estudo e entendimento dos Documentos do Vaticano II por  todo o Povo de Deus.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COMBLIN, J. Um novo amanhecer da Igreja? Petrópolis: Vozes, 2002.
CECHINATO, L. Os 20 Séculos de Caminhada da Igreja. Petrópolis, Vozes, 1996.
COMPENDIO DO VATICANO II Constituições, Decretos, Declarações. Rio de Janeiro: Vozes, ed. 4ª 1968.
LORSCHEIDER A., LIBÂNIO J. B., COMBLIN J., VIGIL J. M., BEOZZO J. O. Vaticano II 40 Anos Depois. São Paulo: Paulus, 2005.
MATOS, H. C. J. Caminhando pela História da Igreja. Belo Horizonte: O Lutador, V. III 1996.
________, ANTONIAZZI A. Cristianismo 2000 Anos de Caminhada. São Paulo: Paulinas, ed. 3ª, 1996.
Referências Eletrônicas.
João Batista Libanio:  A memória do Concílio VaticanoII
Para refletir:
1.    O que foi o Concílio Vaticano II e qual seu significado para a Igreja em nossos dias?
2.    Como a Igreja é chamada a dialogar com o mundo de hoje?
3.    Como anunciar e viver o Evangelho para no mundo de hoje?
4.    O Vaticano II marcou e continua a marcar a vida eclesial?
5.    Como a Igreja pode ser presença divina e salvífica num mundo de mudança constante?

Ficha 3 – (1ª) Constituição S.C. – A Sagrada Liturgia
·         31 de agosto
·         por Equipe A.V.F.
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liturgia
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SC – Ficha 1:  A Sagrada Liturgia 
  Introdução
 A Constituição “Sacrossanto Concilio” (SC), sobre a Sagrada Liturgia, foi o primeiro documento  aprovado pela maioria dos bispos conciliares em 4 de dezembro de 1963 (1).
Ela se insere no espírito de renovação suscitado pelo Espírito Santo e, especialmente, na compreensão da Igreja como Povo de Deus, definida na Constituição Dogmática Lumen Gentium. O objetivo central da SC é reformar e incrementar a Liturgia para promover a participação e a santificação do povo em vista da edificação do Corpo de Cristo (1-4).
Desde o início do século XX, uma reforma litúrgica vinha sendo gerada na Igreja, especialmente na Bélgica e na França, que  ficou conhecida como Movimento Litúrgico. Ele cresceu a partir dos estudos bíblicos e patrísticos  que  possibilitaram aos teólogos refletirem sobre o caráter cristológico da Liturgia e sobre a necessidade da participação dos fiéis nas celebrações. O papa Pio XII,  através da Encíclica Mediator Dei (20-11-1947), confirmou os passos dados pelo Movimento Litúrgico e, neste mesmo ano, criou uma comissão para reformar a Liturgia. Em 1951 foi  introduzida uma série de reformas  que antecederam o Concílio, sendo que a principal delas, foi a Reforma da Vigília Pascal. O Concílio, então, propagou estas reformas e sugeriu que elas fossem implantadas em todas as dioceses. Os Documentos sobre a Liturgia, que ajudam as equipes espalhadas por todo o Brasil, e os livros litúrgicos como o Missal, Rituais para os Sacramentos, Livro de Bênçãos e Lecionários na língua português-brasileira, são frutos da SC.
A SC foi  dividida em sete capítulos: I – Os princípios Gerais da Reforma e do Incremento da Liturgia; II – O Sacrossanto Mistério da Eucaristia; III – Os demais Sacramentos e sacramentais; IV – O Ofício Divino; V – O Ano Litúrgico;  VI – A Música Sacra; e VII – A Arte Sacra e as Sagradas Alfaias. Neste estudo, eles serão tratados em cinco Fichas assim nomeadas: 1) A Sagrada Liturgia; 2) Formação Litúrgica;  3) Sacramentos e Sacramentais; 4) Ofício Divino e Ano Litúrgico ; 5) Música e Artes Sacras.
 A Sagrada Liturgia  
 Este texto sobre A Sagrada Liturgia é fruto do estudo sobre os tópicos I, III e IV do primeiro capítulo da SC: Os princípios gerais da Reforma e do Incremento (2) da Liturgia.
O tópico I -A natureza da Sagrada Liturgia e sua importância na vida da Igreja(parágrafos 5-13), indica que é através da celebração cotidiana dos Sagrados Mistérios da Vida, Morte e Ressurreição do Senhor que a Igreja atualiza a presença salvífica de Jesus Cristo e se revela, apesar de suas falhas, como um canal da  Graça Santificadora aos que a procuram, ou seja, o favor de Deus que santifica o homem, a Sua presença na vida humana (5-6). Através da Liturgia, é o próprio Cristo que age e comunica os sinais sensíveis de Sua Graça. E é, mediante a proclamação da Palavra de Deus e do diálogo com a assembleia, através da participação na salmodia, nas orações, nos cantos e por meio dos sacramentos, que os fiéis se unem a Cristo e antecipam a festa, que no céu nunca se acaba (7-8). Além disso, através da Liturgia se enfatiza a noção eclesiológica, ou seja, o vínculo com a Igreja,  pois o Povo de Deus reunido em assembleia litúrgica é a própria Igreja, Corpo de Cristo! Eis porque se afirma que a Liturgia é o cume e a fonte de toda a ação pastoral.
O tópico III – Reforma da Sagrada Liturgia (parágrafos 21-40), indica a necessidade de promover mudanças nas celebrações litúrgicas em função de uma preocupação pastoral e espiritual, pois deseja-se que os fiéis obtenham maiores benefícios das celebrações que participam. O documento lembra que em todas as Celebrações Litúrgicas há partes fixas e partes que podem ser mudadas ou adaptadas, a fim de que os fiéis sejam beneficiados e aproveitem melhor o que se celebra. Além disso, algumas orientações foram elencadas para serem seguidas por todas as dioceses, a fim de garantir a unidade e a fidelidade ao Magistério Eclesial. Duas delas estão destacadas abaixo por serem consideradascomo mais importantes e que contribuíram na catequese bíblico-litúrgica do povo:
1) Que a Bíblia tenha um lugar de destaque na Liturgia, e que a  pregação (homilia) seja catequética e centrada no mistério de Cristo. Para tanto, o documento  permitiu o uso da língua pátria com o objetivo de facilitar a compreensão e participação nas Liturgias Dominical e Cotidiana, e incentivou a realização da Celebração da Palavra, sobretudo nas comunidades onde há carência de padres (35, 4).
2) Que o povo seja estimulado a participar ativamente da Liturgia através de sua voz e expressão corporal, bem como a guardar silêncio nos momentos em que ele seja necessário.
O tópico IV – O incremento da vida Litúrgica (parágrafos 41- 42),  indica  que as Dioceses devem promover a Pastoral Litúrgica nas paróquias  e comunidades  para que os Sagrados Mistérios  sejam celebrados em uma participação perfeita e ativa de todo o Povo santo de Deus, representando a Igreja visível, estabelecida em todo o mundo, especialmente aos domingos, no Dia do Senhor. O documento, ainda, aprovou a introdução de alguns elementos culturais nas Liturgias, a fim de torná-las mais expressivas aos diversos grupos que a celebram.
Na época do Concílio, a realidade eclesial brasileira ainda era muito marcada pelas práticas religiosas tradicionais sedimentadas nos primeiros quatro séculos coloniais. A partir do século XX, os bispos muito se esforçaram para modificar a realidade devocional ligada à religiosidade popular que desfocava da fé cristológica. As reformas propostas pela SC vieram em boa hora, pois contribuíram para resgatar o senso de uma liturgia centrada na fé em Jesus Cristo, o Senhor da História. A centralidade bíblica e a liturgia catequética se configuraram como o grande desafio à formação dos fiéis.
Na perspectiva da Pastoral Litúrgica, houve um grande esforço para que a reforma proposta fosse levada adiante. Ainda em 1963, através do Plano de Pastoral de Conjunto, a CNBB criou a Linha 4: Dimensão Litúrgica, que deu os primeiros passos para a organização de uma Pastoral da Liturgia no Brasil, e algum tempo depois,  foi criada a Comissão Nacional de Liturgia. Em 1969, foi divulgada a publicação das  Normas   Universais  sobre  o  Ano Litúrgico e o Calendário Romano (NUALC) elaboradas pela Santa Sé e, vinte anos depois, em 1989, foi publicado pela CNBB o Documento  43, denominado Animação da Vida Litúrgica no Brasilque procurou divulgar a SC e introduzir as modificações sugeridas pela NUALC. Atualmente, o organismo da CNBB responsável pela Liturgia chama-seComissão Episcopal Pastoral para a Liturgia.
É certo que a Reforma Litúrgica fez um grande bem à Igreja e, especialmente à Igreja do Brasil, pois reconduziu à centralidade cristólogica e contribuiu para uma maior participação dos fiéis, inclusive na questão da inculturação (3).  Como no Brasil sempre houve poucos padres, o incentivo às Celebrações da Palavra  fortaleceu uma eclesiologia de comunhão e de serviços, especialmente nas Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), através dos Ministros da Palavra, da Eucaristia, dos Enfermos, e das Exéquias (cerimônias fúnebres) com especial destaque à participação das mulheres. De outro lado, a inculturação tornou a Liturgia mais popular, especialmente na música com a diversidade dos instrumentos, e nos cantos.

[1] Libanio, João Batista, Igreja Contemporânea – Encontros com a Modernidade, Ed. Loyola,  São Paulo, 2000, pp  50-54
[2] Ato, processo ou efeito de incrementar; desenvolvimento, crescimento, aumento; acréscimo.
[3] A inculturação é a introdução de uma cultura ou aspectos culturais de um determinado povo à uma outra cultura. A palavra “inculturação” tornou-se importante na Igreja para expressar a presença renovada da Igreja missionária: o Evangelho é anunciado para se tornar um princípio que anima, guia e unifica as culturas, transformando-as e renovando-as a partir de seu interior até produzir uma nova criação.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 CNBB- Guia Litúrgico Pastoral, 2007
 REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS
Silva,  José Ariovaldo da, SacrosanctumConcilium e Reforma Litúrgica Pós-Conciliar no Brasil
TRUDEL, JAQUES,  Comemorando 40 anos da Sacrosanctum Concilium- Revista de Teologia e Ciências da Religião UNICAP Recife ano III n. 3 dezembro de 2004.
Para refletir:
1.    O que lhe chama mais a atenção sobre a Natureza da Liturgia?
2.    Por que a Liturgia é importante na vida da Igreja?
3.    Das reformas sugeridas pela SC, qual você acha que mais contribuiu para fazer crescer a Igreja  Católica no Brasil, ou o que é mais ativo e perceptível na sua Paróquia?
4.    Existe alguma alteração na vida da Igreja, conhecida através desta Ficha 1, que a sua Paróquia ainda não aplicou na sua totalidade? Se sim, de que forma você pode colaborar para que isto aconteça?


Ficha 4: Formação Litúrgica
·         14 de setembro
·         por Equipe A.V.F.
·         em Fichas de Estudo
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Ficha 4 : Formação Litúrgica (2ª da  S. C. )
Este texto sobre a Formação Litúrgica completa o estudo da ficha anterior, referente ao primeiro capítulo da SC: Os princípios gerais da Reforma e do Incremento da Liturgia.  Ele aborda os tópicos II e V nos quais podemos perceber a nova mentalidade que surgia graças ao Concílio Vaticano II. Estes textos lembram que além da  Missão  de  Santificar, a Igreja também tem a  Missão de Ensinar o Povo de Deus, daí a importância da formação litúrgica dos cristãos e a criação de um estrutura pastoral [1] dedicada à Pastoral Litúrgica nas dioceses e paróquias.
No tópico II – Necessidade de promover a Educação Litúrgica (parágrafos 14-20), o  texto indica que a participação ativa na celebração é um direito e um dever de todos os fiéis. Todavia, para que isto aconteça, é fundamental que haja formação litúrgica, começando pelo clero que, por sua vez, deve multiplicar a formação aos agentes de pastoral e ao povo. Esta ação se insere na grande preocupação do Concílio, de renovar a Igreja e fazer com que a sua prática e o seu discurso sejam significativos ao homem moderno.
No tópico V – A promoção da ação Pastoral Litúrgica (parágrafos 43-44), são apresentadas as condições para que a Pastoral Litúrgica possa se desenvolver e atinja seu objetivo: o cuidado espiritual do Povo de Deus, a quem os Ministros Ordenados existem para servir. O Concílio determinou que em todos os países fossem criados uma Comissão Litúrgica – com especialistas em Liturgia, Música Sacra e Pastoral – e um Instituto de Liturgia Pastoral; e estas duas estruturas deveriam ser reproduzidas nas dioceses e nas paróquias.
Atualmente, é impensável que em uma comunidade e/ou paróquia inexista uma ‘equipe’ de liturgia, ou que não haja a preocupação com a formação litúrgica dos agentes de pastoral, mas esta é uma realidade do nosso tempo. Na época do Concílio não era assim! A própria noção de ‘equipe pastoral’ só nasceu depois deste importante evento que, diferentemente dos outros, preocupou-se muito com a ‘pastoral’.  Esta foi a grande mudança em relação aos outros concílios. Nesta nova forma de organizar a ação eclesial, a Pastoral Litúrgica foi uma das primeiras equipes a serem criadas nas dioceses e paróquias. Com isso, pode-se dizer que as mudanças litúrgicas, sugeridas e implantadas ao longo desses cinquenta anos, contribuíram para fortalecer a nova concepção de Igreja como ‘Povo de Deus’.  Se hoje existem equipes, nas paróquias e comunidades, é porque o Concílio as incentivou e indicou orientações para isso. Também, foi em função da organização pastoral que a Igreja determinou que os Livros Litúrgicos: Missal, Lecionários, Rituais Sacramentais, fossem traduzidos  para as línguas locais. Outra importante orientação do Concílio foi que os bispos considerassem a possibilidade de fazer adaptações das culturas locais na Liturgia.
A Pastoral Litúrgica tem sido uma preocupação presente nas quatro últimas Conferências do Episcopado Latino Americano (CELAM) pós Vaticano II. A Conferência de Medellín (Colômbia – 1968) dedica vários artigos à SC e destaca a necessidade do empenho do clero para que a renovação leve em conta a variedade das culturas locais e sirva para formar e fortalecer as comunidades. A Conferência de Puebla (México – 1978) destaca a importância da Liturgia como um meio para a comunhão e para a participação dos fiéis, bem como reforça a necessidade do empenho de todos para que as reformas propostas aconteçam. NaConferência de Santo Domingo (República Dominicana – 1992), dentre os três objetivos estabelecidos está o de prosseguir e aprofundar as orientações de Medellín e Puebla, e definir uma nova estratégia de evangelização para os próximos anos, respondendo aos desafios do tempo. Já a Conferência de Aparecida (Brasil – 2007), ao destacar a necessidade de formar os discípulos missionários, implicitamente indica a importância da formação litúrgica, principalmente no que diz respeito a celebrações litúrgicas como lugar de Encontro com o Cristo.  Neste sentido a pastoral litúrgica tem um papel muito importante na formação dos discípulos missionários.
Conforme a SC – Ficha 1 – Sagrada Liturgia, em 1963 foi criada pela Conferência  Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a linha 4 do Plano de Pastoral de Conjunto, denominada Dimensão Litúrgica, que logo depois tornou-se a Comissão Nacional de Liturgia (CNL). Esta promoveu visitas e cursos em várias Dioceses, de tal modo que, rapidamente, houve a crescente implantação das novas orientações litúrgicas no Brasil, o que produziu uma multiplicação de Equipes de Liturgia capazes de preparar as Celebrações Sacramentais e, especialmente, a Missa, e escolher os cantos litúrgicos apropriados. Atualmente,  o organismo responsável pela Liturgia é a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia.
Na perspectiva de promover o direito do povo de celebrar sua fé nos domingos, o Concílio permitiu que todas as comunidades pudessem se reunir nas Celebrações da Palavra, mesmo sem a presença do padre, o que contribuiu para fortalecer e multiplicar as comunidades, especialmente na América Latina.
Como a SC autorizou o uso da língua pátria nas celebrações, a CNBB promoveu um trabalho extraordinário na tradução dos rituais, e na produção de orientações e documentos relativos aos sacramentos. Em  fins de 1974, lançou dois documentos  Pastoral  da  Eucaristia  ePastoral dos Sacramentos da Iniciação Cristã; em 1976,   Pastoral  da  Penitência  Pastoral da Música Litúrgica no Brasil; em 1977,  Diretório  para  missa  com  grupos  populares; em 1978, Orientações Pastorais sobre o Matrimônio; em 1979,  Pastoral  da  Unção dos Enfermos;  em 1980, Batismo de Crianças, e em 1989, o Documento 43 - Animação da Vida Litúrgica no Brasil. Todos estes documentos contribuíram para a unidade pastoral e para a formação dos agentes da Pastoral Litúrgica. Em 2002 a publicação da Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR) escrito pela Santa Sé, também muito contribuiu para a formação das Equipes de Liturgia. Destes, o Documento 43 da CNBB: Animação da Vida Litúrgica tornou-se referência para a formação das equipes de liturgia nas comunidades e paróquias, e continua até nossos dias sendo o guia para muitos cursos sobre Liturgia.
As Celebrações Litúrgicas oferecem um profundo ensinamento espiritual numa dimensão formativa que não se dá através das práticas pedagógicas, mas da mistagogia, isto é,  o cristão é inserido no mistério de Cristo e, por conseguinte, da Igreja, Povo de Deus, através da participação ativa nas celebrações. É através dos sinais litúrgicos e, especialmente, através dos sinais sensíveis e visíveis da fé, os Sacramentos, que a comunidade e cada singular cristão experimenta o divino em sua vida. Por isso, a participação nas celebrações não deve ser vista como uma obrigação, mas como fonte e ápice da vida cristã. Na Liturgia os fiéis celebram a fé e são impelidos a viver a prática cristã no cotidiano, dando testemunho por atos e palavras daquilo que dizem crer!

1 – A palavra pastoral deriva de pastor. Ação pastoral católica ou simplesmente pastoral é a ação da Igreja Católica no mundo ou o conjunto de atividades pelas quais a Igreja realiza a sua missão, que consiste primariamente em continuar a ação de Jesus Cristo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Liturgia em Mutirão – CNBB
Liturgia em Mutirão: subsídios para a formação/2007 – CNBB
Liturgia em Mutirão II: subsídios para a formação/2009 – CNBB
Ione Buyst, Equipe de liturgia, Ed. Paulinas
REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS
Equipe de Liturgia:  Formação Litúrgica em Mutirão CNBB – Rede Celebra – Ficha 40
 A  Mística  da  Reunião  Litúrgica:  Formação Litúrgica em Mutirão CNBB – Rede Celebra – Ficha 33
 Catequese  e  Liturgia: Formação Litúrgica em Mutirão CNBB – Rede Celebra –  Ficha 80
 Zelo Litúrgico: Formação Litúrgica em Mutirão CNBB – Rede Celebra – Ficha 79
Animação da Vida Litúrgica no Brasil. Documento 43
 Para refletir:
1.    Por que se considera que a Celebração da Liturgia é uma escola de Santidade?
2.    As equipes de liturgia que você conhece se preocupam em ajudar o povo a rezar?
3.    Quais os pontos que você julga fundamentais na formação dos agentes da Pastoral Litúrgica?


Ficha 5: Sacramentos e Sacramentais (3ª S.C)
·         28 de setembro
·         por Equipe A.V.F.
·         em Fichas de Estudo
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Cirio
Esta Ficha de Estudo aborda os capítulos II e III do documento S.C., referentes aos Sacramentos e Sacramentais, sendo o II totalmente dedicado à Eucaristia. A visão teológica apresentada confirma a doutrina definida no Concílio de Trento (sec. XVI), mas ao mesmo tempo, procura atualizá-la no que diz respeito a pastoral. Esta preocupação, comum a todos os documentos do Vaticano II, pode ser percebida nas determinações e sugestões para que os rituais das Celebrações Litúrgicas dos Sacramentos e Sacramentais fossem revisados, a fim de contribuir na santificação dos cristãos e na edificação Igreja (59).
Os Sacramentos são sinais sensíveis e visíveis da fé, e eles a alimentam e a fortificam, e existem para a Igreja. Não existe cristão e nem sacramento fora da comunidade porque, por mais tênue que seja o vínculo estabelecido entre o cristão e a comunidade eclesial, todo aquele que o recebe, recebe também a graça, que é a vida de Deus nos homens; se dispõe a honrar a Deus e a praticar a caridade associando-se a Cristo e à sua Igreja.
Sendo sinais da fé, a Igreja precisa criar condições para que os fiéis recebam os sacramentos e possam compreender o alcance da graça recebida e as exigências que dela decorrem em sua vida pessoal e comunitária. Desde os primórdios, a Igreja entendeu que uma das formas de fazer isso era através da catequese. O Concílio de Trento ordenou a sistematização daquilo que ficou conhecido como Catecismo Romano que era destinado a orientar os padres para a realização da catequese em suas paróquias. No início do século XX, São Pio X ordena a publicação de um catecismo abreviado com perguntas e respostas destinado ao povo, e esta atitude deve ser considerada como uma grande preocupação pastoral da época, mas ela trouxe consigo um vício formativo. As pessoas passaram a decorar o catecismo sem refletir sobre a fé  que professavam, de tal forma que os bispos, presentes no Concílio Vaticano II, perceberam a necessidade de se buscar uma catequese que fosse menos intelectualizada e mais ligada à vida comunitária. O documento da Sacrossanto Concílio sugere que a pastoral sacramental cuide que a preparação dos fiéis aos  sacramentos seja apresentada como um itinerário mistagógico para toda vida cristã e não apenas, como um momento preparatório aos sacramentos(64). Não obstante esta orientação mais profunda, a saída encontrada foram os “cursos” de preparação aos vários sacramentos, que sem dúvida contribuíram para superar a prática de decorar a doutrina, mas ainda não conseguiram despertar a reflexão sobre o porquê e para quê se recebe um sacramento. Esta ainda é a principal preocupação da pastoral sacramental.
Em 1992, depois de seis anos de árduo trabalho, surge o Catecismo da Igreja Católica que se torna o livro doutrinal por excelência. E em 2005, foi publicado o Compêndio  do  Catecismo da Igreja Católica, uma versão concisa, em forma de perguntas e respostas, ao modo do Catecismo de São Pio X.
 No que diz respeito à Eucaristia, a S.C. lembra que a Igreja celebra a Eucaristia e esta constrói a Igreja. Profundamente associadas, uma realidade não existe sem a outra. A Celebração da Eucaristia é sinal da Igreja reunida como corpo do Senhor, que ritualmente presta culto a Deus e oferece pão e vinho, pedindo-Lhe que os transforme em Seu próprio Corpo e Sangue, alimento da caminhada.
Para que os fiéis pudessem descobrir esta riqueza, a S.C. lembra que a Igreja deve cuidar para que eles não sejam meros expectadores da Celebração Eucarística, mas ativos participantes da oferta de Cristo pois, todas as vezes que dela participam, junto com Ele oferecem suas vidas na Eucaristia (48). Para que isso aconteça, afirma que é fundamental que o ritual da missa seja revisto, simplificado e reformado (50).
Na dimensão catequética, a S.C. destaca a importância da Liturgia da Palavra, que é também alimento para as pessoas, o que indica que as Leituras Bíblicas não estavam recebendo o seu devido valor na Celebração da Eucaristia (51). Ela recomenda com veemência a pregação e/ou homilia como parte da Liturgia, que ajuda na exposição dos mistérios da fé e das normas da vida cristã, na intenção de oferecer aos fiéis o contato com a Palavra de Deus como o percurso de um itinerário espiritual cristocêntrico dentro do Ano Litúrgico (52). Insiste, também, para que os fiéis participem das orações e especialmente dos cantos, o que antes era limitado devido à língua latina desconhecida pela maioria das pessoas que, ao invés de participarem da Celebração, apenas ‘assistiam’, sem nada compreender dos Ritos Litúrgicos (53-54).
Quanto aos demais sacramentos, a contribuição mais importante da S.C. é a determinação de que todos os rituais sejam atualizados (67-78) e traduzidos na língua pátria. Os sacramentos do Batismo, da Eucaristia e do Crisma passaram a ser chamados deSacramentos da Iniciação Cristã e,  ainda que as preparações sejam separadas, elas devem ser vistas dentro de um processo único formativo. Desta visão se retoma a preocupação com a Iniciação Cristã de Adultos, devido ao grande número de adultos não batizados existentes nos territórios de missão e, também, nas grandes cidades atingidas pela modernidade.  A S.C. determinou a elaboração de um novo ritual (SC 63-55) e, após nove anos, em 1972, surgiu o  Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA) [1], reformado por Decreto do Concílio Ecumênico Vaticano II e promulgado pelo Papa Paulo VI.
Os sacramentais ou bênçãos, embora não sejam sacramentos, são sinais sagrados que colaboram na santificação dos fiéis (60), como por exemplo, uma bênção pessoal ou de uma casa, um carro etc.  A S.C. não só incentiva o uso dos sacramentais, como também determina que alguns deles sejam administrados por leigos, o que permite compreender o quanto a Igreja deseja que eles assumam sua vocação missionária e evangelizadora. Dentro deste contexto foi de suma importância a publicação do Ritual de Bênçãos [2], traduzido pela  CNBB em 1984.
Na América Latina as orientações pastorais sacramentais receberam grande atenção das várias Conferências Episcopais que cuidaram da tradução e da adaptação dos novos rituais, bem como da multiplicação de encontros formativos para as equipes de preparação aos Sacramentos. As Conferências do CELAM, de Medellín e Puebla foram importantíssimas para a revitalização da Pastoral Sacramental e, especialmente Puebla, por dedicar  vários artigos sobre a importância desta pastoral. No Brasil, como já exposto na Ficha anterior, a CNBB através das várias comissões, especialmente da Comissão Nacional de Liturgia e da Comissão Bíblico Catequética, tem se desdobrado para tornar a Pastoral Sacramental atualizada.
Em 1987, a CNBB alterou o nome das ‘Diretrizes Gerais da Ação Pastoral’ para ‘Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora’, indicando uma nova visão pastoral. Esta nova terminologia deseja apontar dois aspectos para reflexão: primeiro que Evangelização é um conceito mais amplo que Pastoral e, segundo, que também os cristãos católicos precisam ser Evangelizados. Não se trata de uma nova ação, mas de um revigoramento catequético.
Em abril de 1996, a CNBB lançou o Projeto ‘Rumo ao Novo Milênio’ para a ocasião do grande Jubileu do ano 2000, acatando a orientação da Santa Sé. Este Projeto de Evangelização para a Igreja no Brasil previa um ano dedicado a cada pessoa da Santíssima Trindade a partir de 1997, e insistiu na revitalização das preparações dos Sacramentos a fim de ajudar as pessoas a fazerem a experiência sacramental de Deus e não apenas cumprirem o preceito.
A Conferência de Aparecida (2007) ao conclamar a Igreja para uma grande Missão Latino Americana, convocou todos os cristãos a assumirem o mandato missionário e colaborar neste novo projeto de revigoramento da Igreja. De fundamental importância é o capitulo VI: O Caminho de Formação dos Discípulos Missionários, que reflete sobre a necessidade de uma espiritualidade trinitária no encontro com Jesus Cristo, e sobre  o processo de formação dos discípulos missionários propriamente dito, isto é, suas etapas e lugares, e sobre a Iniciação à vida cristã e catequese permanente.
Nesta perspectiva, a CNBB lançou em 2009 o Estudo 97 – “Iniciação à Vida Cristã: Um processo de Inspiração Catecumenal”. O texto retoma as questões já levantadas pelos bispos no Concilio Vaticano II, o que de um lado mostra que o Concílio é atualíssimo como, também, revela a dificuldade da Igreja em colocar em prática o que já fora reconhecido e decidido há tempo. São passados quase 50 anos e ainda não se conseguiu implantar todas as decisões do Concílio.

[1] Para uma visão abreviada do R.I.C.A., ler o texto desenvolvido pela Equipe de Catequese da diocese de Caratinga.
[2] Livro Litúrgico de grande valor, onde as bênçãos estão divididas em cinco partes: bênção de pessoas, objetos, de coisas destinadas ao uso litúrgico, de objetos de piedade e, finalmente, bênçãos para diversos fins. A estrutura de cada bênção comporta uma proclamação da Palavra e um louvor da bondade de Deus com um pedido de auxílio, além de um breve rito de abertura e conclusão.
Bibliografia
A.A.V.V., A Eucaristia, Teologia e História da Celebração, Coleção Anámnesis v. 3, EP, S. Paulo,  1989.
________, Os Sacramentos, teologia e História da Celebração, Coleção Anámnesis v. 4, EP, S. Paulo,  1989.
_______, Os sacramentais e as Bençãos, Coleção Anámnesis v. 6, EP, S. Paulo,  1989.
Referências Eletrônicas
Para refletir:
1.    O que significa a expressão ‘a Igreja celebra Eucaristia e esta constrói a Igreja’?
2.    Como a equipe de liturgia da sua paróquia e/ou comunidade pode contribuir para que a comunidade e o povo celebrem e vivam melhor os sacramentos?
3.    Como você vê o processo de Iniciação Cristã?  Sua paróquia esta refetindo sobre o Estudo nº 97 da CNBB: “Iniciação à Vida Cristã: Um processo de Inspiração Catecumenal”?
4.    O que acrescentou no seu conhecimento e na sua vida as informações sobre Sacramentos e Sacramentais?

Ficha 6 – Ofício Divino e Ano Litúrgico (4ª SC)
·         12 de outubro
·         por Equipe A.V.F.
·         em Fichas de Estudo
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Ficha 6:  Ofício Divino  e Ano Litúrgico (SC – 4ª)
Esta Ficha é dedicada ao Ofício Divino e ao Ano Litúrgico, respectivamente os capítulos  IV e V da SC que lançou novas luzes sobre estes dois importantes temas Litúrgicos. O primeiro reflete sobre a Oração da Igreja e o segundo sobre a sua Ação Litúrgica no tempo. O objetivo de ambos foi renovar os aspectos pastorais e espirituais com a finalidade de contribuir na santificação do povo de Deus.
 Ofício Divino (Liturgia das Horas)
O capítulo IV aborda o Ofício Divino, a Celebração da Oração Litúrgica que a comunidade eclesial realiza em nome de Cristo. A oração sempre foi um dos elementos constitutivos da Igreja que cumpre o mandamento do Seu Senhor de orar incessantemente!  (Mc 14,38, Mt 26,41)
O Ofício Divino é formado por uma série de orações de louvor a Deus e de intercessão pela salvação do mundo que, segundo a tradição antiga cristã, se destina a consagrar o curso diurno e noturno do tempo (SC 84) no louvor individual ou coletivo. A SC propôs reformá-lo com a finalidade de adequá-lo à realidade moderna, porém, mantendo  a sua importância teológica, enfatizando o louvor divino como oração do Cristo total, ou seja, como ação comunitária da Igreja inteira”(1).
Ele  tem sua origem no louvor que as primeiras comunidades cristãs realizavam através da recitação dos Salmos segundo a tradição judaica (At 2,42 e Cl 3,16). Na medida em que a Igreja foi se institucionalizando, também a Liturgia foi sendo normatizada pelos bispos em suas dioceses, e pelos nascentes mosteiros, dentre eles a Ordem de São Bento que definiu que os monges deveriam rezar os salmos em favor da Igreja, em determinadas horas do dia e da noite.  Apesar de algumas mudanças terem ocorrido, esta estrutura é mantida até os nossos dias.
Como Ofício propriamente dito, ele surge na Idade Média quando, no século XI, foi sistematizado e organizado em um livro denominado Breviário, com os salmos, hinos, textos bíblicos e orações, que era usado para a oração dos clérigos (letrados). Como o povo não tinha acesso ao Breviário, seja por questões culturais ou econômicas, difundiu-se a prática da piedade popular da oração do Rosário, rezava-se as 150 Ave-Marias como  uma forma de substituir os 150 Salmos.
Desde os tempos antigos, a Igreja confiou o Ofício Divino às comunidades religiosas e aos clérigos e, a partir do Concílio Vaticano II, os leigos foram também convidados a celebrá-lo segundo suas possibilidades, especialmente aos domingos e dias santos (SC 100). Para isso, foi fundamental a autorização da tradução na língua pátria, possibilitando maior participação de pessoas nas celebrações.
A SC insistiu que o Ofício Divino fosse celebrado, sempre que possível, em comunidade, e destacou que, dentre as várias horas, as Laudes e as Vésperas (Oração da Manhã e da Tarde) eram as mais importantes. Ela solicitou que houvesse uma consonância entre as Orações Litúrgicas e os Textos Bíblicos (SC 90) e, para tanto, foi proposta uma revisão dos textos e a  distribuição deles de acordo com o Tempo Litúrgico.
Em 1970 o novo livro de orações passa a ser chamado ‘Liturgia das Horas’ abolindo o termo ‘Breviário’ e, em 1985 foi feita uma nova revisão e lançada uma segunda edição que  passou a ter quatro livros e incorporou o Ofício das Leituras. O primeiro é dedicado ao Advento e Natal, o segundo à Quaresma, Tríduo e Tempo Pascal, o terceiro da 1ª à 17ª semana do Tempo Comum, e o quarto da 18ª à 34ª semana do Tempo Comum. No Brasil, a tradução desta segunda edição terminou em 1992. Em 1995, a CNBB publicou a edição resumida denominada ‘Oração das Horas’, onde não estão incluídos o Ofício das Leituras e os escritos dos Santos Padres, e é destinada para uso dos leigos (SC 100).
Para favorecer a oração do povo, que muitas vezes não possui o hábito de leitura, um grupo de liturgistas brasileiros ligados às CEBs criou, em 1988, o ‘Ofício Divino das Comunidades’, que é um ofício popular com estrutura semelhante à Liturgia das Horas.  Sua principal característica é a repetição de refrões melódicos que tornam extremamente acessível a participação do povo, que o faz através do sentidos, especialmente do ouvir e do falar, no caso, cantar. O Ofício Divino das Comunidades provoca duas ações importantíssimas na vida da Igreja: a participação da comunidade no Louvor a Deus e a valorização da piedade popular, muito defendida na SC 13, conforme vimos na ficha anterior, profundamente pastoral na medida em que possibilita a participação do povo (2).
 O Ano Litúrgico
O capítulo V da SC estabelece a reforma do Ano Litúrgico com o intuito de destacar a centralização do mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo nas celebrações litúrgicas, tanto durante o ano quanto na semana, isto é, o Concílio desejou afirmar que a Páscoa é o tempo por excelência no Ano Litúrgico, e que o domingo é o dia por excelência na semana. Diante disto, este capítulo emana orientações catequéticas para a revalorização do domingo como o ‘Dia  da Páscoa do Senhor’;  do ‘Tempo da Quaresma’ como tempo de preparação penitencial para a grande Festa da Páscoa; e considerações sobre o culto dos Santos, enfatizando que suas Festas não devem prevalecer sobre os mistérios da salvação (SC 111).
Segundo a SC 106, o domingo, o dia do Senhor, é mantido como o principal dia de festa, pois, segundo a tradição apostólica, ele tem a sua origem no mesmo dia da ressurreição de Cristo. Nele, a Igreja celebra o mistério central de nossa fé, a Páscoa semanal, o Mistério Pascal. Segundo a NUALC 4, “por causa de sua especial importância, o domingo só cede sua celebração às Solenidades e Festas do Senhor. Os domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa gozam de precedência sobre todas as Festas do Senhor e todas as Solenidades. As Solenidades que ocorrerem nestes domingos sejam antecipadas para o sábado.”
O Ano Litúrgico possui como fundamento bíblico-teológico a ‘História da Salvação’ no qual a Igreja celebra o mistério da Encarnação, Nascimento, Ministério Público, Morte, Ressurreição, Ascensão, Pentecostes, e a espera da vinda do Senhor (NUALC nº 43 e SC 102) e, é nele que todo cristão vive inserido no Cristo. Ele  não segue a mesma datação do calendário civil e seu inicio se dá no primeiro domingo do Advento, quatro domingos antes do 25 de dezembro, e termina na 34ª semana do Tempo Comum. Segundo a NUALC, o Ano Litúrgico propõe um caminho espiritual, oferecendo um programa para se viver a graça do mistério de  Cristo nos sucessivos momentos de sua vida.  Para alcançar este objetivo, o Ano Litúrgico foi dividido em partes denominadas Tempos Litúrgicos, cada um dos quais relacionados com uma grande festividade integrada e atualizada no Tempo Cósmico, Biológico e Histórico. Por isso, toda Liturgia é celebrada num tempo, e todo dia é dia celebrativo.
Os Tempos Litúrgicos são:
1.    Tempo do Advento (cor roxa e somente o 3º domingo é rósea) : inicia-se após a Festa de Cristo Rei (último dia do Tempo Comum), e tem duração de quatro semanas. Celebra-se nesse período a Solenidade da Imaculada Conceição (cor branca).
2.    Tempo do Natal (cor branca): no dia 25 de dezembro, comemora-se o ‘Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo’; no primeiro domingo após o Natal, a ‘Sagrada Família, Jesus Maria e José’; no primeiro dia do ano, ‘Santa Mãe de Deus, Maria’; no 2º domingo depois do Natal, a ‘Epifania do Senhor’ que é a manifestação de Deus ao mundo através do reconhecimento e adoração dos Magos; e, no 3º domingo após o Natal, o  ‘Batismo do Senhor’.
3.    1º Ciclo do Tempo Comum (cor verde): inicia-se na 2ª-feira depois do Batismo do Senhor e termina na  3ª-feira, vésperas da  4ª-feira de Cinzas.
4.    Tempo da Quaresma (cor roxa e somente o 4º domingo é rósea): período de 40 dias que se inicia na 4ª-feira de Cinzas, dia em que são impostas as cinzas relembrando que o homem veio do pó e ao pó voltará, e orientando-o para a intenção da conversão. Representa, simbolicamente, os 40 anos de travessia no Deserto do Sinai, e relembra os 40 dias que Jesus esteve no deserto em preparação para iniciar Sua vida pública. Esse tempo tem por finalidade preparar a Páscoa com penitências, orações pessoais e comunitárias, para obter a conversão dos pecadores, jejuns e caridade (SC 109). A semana que precede a Páscoa é chamada Semana Santa (cor roxa), que se inicia com o domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (cor vermelha).
5.    Tríduo Pascal: inicia-se na 5ª-feira da Semana Santa (cor branca) com a missa vespertina da ‘Ceia do Senhor’, passando pela 6ª-feira da ‘Paixão do Senhor’ (cor vermelha), e culminando com a grande ‘Vigília Pascal’ (cor branca), cuja celebração se realiza na noite de sábado, véspera da Celebração da ‘Páscoa do Senhor’.
6.    Tempo da Páscoa (cor branca): tem duração de 50 dias e inicia-se com no Domingo da Ressurreição do Senhor e termina no Domingo de Pentecostes (cor vermelha). No Brasil, no sétimo domingo celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor.
7.    2º Ciclo do Tempo Comum (cor verde): Inicia-se na 2ª-feira após a Solenidade de Pentecostes e encerra-se na Solenidade de ‘Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo’ (cor branca), onde se vive o tempo do crescimento da Igreja e celebra-se antecipadamente a volta de Cristo como Juiz, encerrando a história e inaugurando o Reino Eterno. Neste Tempo celebram-se também, as Solenidades (cor branca) da Santíssima Trindade de Corpus Christi e do Sagrado Coração de Jesus, de São Pedro e São Paulo (cor vermelha)  e Todos os Santos.
A proposta da revisão do Ano Litúrgico e as Normas que decorrem de sua reforma têm o objetivo de levar os fiéis a participarem mais ardentemente pela fé, pela esperança e pela caridade, de ‘todo o mistério de Cristo nas celebrações dominicais, desenvolvido no decurso de um ano’; aproximá-los da Igreja e levá-los a uma maior  participação nas missas através das orações, dos cantos e dos ritos simplificados que, a partir de então, facilitaram a compreensão. A nova postura do sacerdote voltado para a comunidade e rezando na língua pátria – e não de costas, rezando em latim, como era celebrado antes do Concílio Vaticano II – foi essencial para a mudança do conceito de ‘participação’ dos fiéis, que antes apenas ‘assistiam’ a Celebração da Ceia do Senhor. Outros aspectos importantes do documento foram: a abertura dada para a utilização de novos instrumentos musicais que ajudassem na animação da Liturgia, e a possibilidade de maior participação ativa dos fiéis no exercício de diversas funções como comentarista, leitores, animadores e grupos de canto.
O culto à Virgem Maria e aos Santos
A partir do Concílio de Éfeso (431 d.C.), o culto prestado pelo povo de Deus a Maria cresceu admiravelmente em amor, em oração e imitação, de forma que todos a veneram como a Mãe de Deus, a Theotókos (Lumen Gentium 66). No ciclo do Ano Litúrgico, ela é venerada porque está indissoluvelmente unida à obra de salvação do seu Filho (SC 103). Quatro solenidades (cor branca) são dedicadas à Virgem Maria: no dia 1º de janeiro, ‘Santa Mãe de Deus, Maria’;  em 25 de março, ‘Anunciação do Senhor’; a Assunção de Nossa Senhora, especialmente no Brasil, foi transferida para o domingo após o 15 de agosto; e, em 8 de dezembro, Imaculada Conceição de Nossa Senhora. No Brasil, o dia 12 de outubro também é considerado Solenidade, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil.
A Igreja venera os Santos e as suas relíquias autênticas, bem como as suas imagens e, está também inserida no Ano Litúrgico, a celebração da memória dos Mártires (cor vermelha) e outros Santos (cor branca) no «dies natalis» (dia da morte), que proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo.  Estas celebrações têm o intuito de proclamar as grandes obras de Cristo realizadas nos seus servos (SC 111), e propõem aos fiéis os bons exemplos a serem imitados, conduzindo os homens ao Pai, por meio de Seu Filho Jesus, e implorando, pelos seus méritos, as bênçãos de Deus (SC 104).
 Exercícios de piedade durante a Quaresma e nas Festas dos Santos  
Segundo a SC 105, em várias épocas do ano e seguindo a tradição, a Igreja completa a formação dos fiéis orientando-os pela opção da oração, do jejum e da caridade como práticas corporais e espirituais. E, isso ocorre, especialmente no tempo da Quaresma e nas festas dos Santos.
A penitência deve ser praticada não só de modo pessoal, mas servindo de dedicação ao próximo conforme as suas necessidades e disponibilidades.
O jejum pascal deve ser observado na Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor, estendendo-se também ao Sábado Santo, para que os fiéis possam chegar à alegria da Ressurreição do Senhor com elevação e largueza de espírito (SC 110).
 ________________________
(1) Neunheuser, B.  As Reformas Litúrgicas do século IV ao Vaticano II, in Anamnesis 2, p. 278, Ed. Paulinas,1991.
(2) Isnard, D. Clemente, Oficio Divino das Comunidades, Apresentação, p.5-6. Ed. Paulinas, 1988.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AUGÉ, M.; CHUPUNGCO, A. J.; NOCENT, A.; ROONEY, M.; SCICOLONE,I. e TRIACCA, A.M. – O Ano Litúrgico – Anamnesis 2 – História, Teologia e Celebração – Edições Paulinas – 1991.
ARMELLINI, Fernando, Celebrando a Palavra. São Paulo: Ave Maria, 3ª ed. 2001.
BERGAMINI, Augusto. Cristo, Festa da Igreja. São Paulo: Paulinas, 2000.
Documentos da CNBB. Animação da Vida Litúrgica no Brasil, nº 43. São Paulo: Paulinas, 13ª ed. 1999.
Guia Litúrgico- Pastoral – CNBB.
MADURGA, Joaquin. Celebrar a Salvação – Iniciação à Liturgia. São Paulo: Paulus, 1999.
Referências Eletrônicas
Mayer, Ir. Judite Paulina,  Tempo: agora e sempre…
Secretariado Nacional de Liturgia de Portugal, O Ano Litúrgico e o Calendário
Para partilhar
1.    O que você conhece das orações da Liturgia das Horas ou do Oficio Divino das Comunidades ? Como são praticadas na sua comunidade?
2.    Como é que podemos celebrar bem todo o Ano Litúrgico?
3.    Que iniciativas nossas comunidades têm apresentado para que as celebrações sejam mais acolhedoras, orantes, e expressão de encontro com Deus?
4.    O que acrescentou para você a leitura sobre a reforma do Ofício Divino e do Ano Litúrgico? Comente sobre a sua nova visão de Celebração Litúrgica.


Ficha 7 – Música e Arte Sacras (5ªSC)
·         26 de outubro
·         por Equipe A.V.F.
·         em Fichas de Estudo
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Canto
Esta Ficha é dedicada à Música e às Artes Sacras, respectivamente os capítulos VI e VII da SC que recuperou a importância da expressão sensorial na vida dos cristãos. O primeiro aborda sobre o valor da música na comunidade cristã, e o segundo sobre as formas de expressão artísticas na Igreja.  O objetivo de ambos foi valorizar e ressaltar a importância delas nas Celebrações Litúrgicas com a finalidade de ajudar os fiéis a se aproximarem de Deus através da beleza artística.
“Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras”. (Lc 14,26).
 A Música Sacra
Na comunicação do humano com o divino, a música sempre esteve presente com a finalidade de glorificar a Deus e santificar os fiéis. A Música Sacra, patrimônio da Igreja, se constituiu parte integrante da Liturgia, e será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver unida à Ação Litúrgica, como expressão da oração, como fator de comunhão e elemento de maior solenidade (SC 112). O canto na Liturgia não é algo decorativo ou secundário para ocupar os fiéis durante a celebração do Mistério Pascal, mas parte integrante do culto público da Igreja (1). Sabe-se que ele, além de possuir uma força de expressão muito mais forte do que a fala, cria comunidade, liga pessoas entre si, e é a expressão mais natural, mediante a qual uma concentração numerosa de gente pode manifestar-se. Ele sabe expressar o indizível! (2)
Os primeiros cristãos se expressaram através do cantochão, música essencialmente vocal e transmitida oralmente. Com o tempo, surgiu a necessidade de uma unificação desses cantos para que fossem reconhecidos por todos e mais facilmente praticados. Esse trabalho foi realizado pelo Papa São Gregório I, o Magno (590-604), depois continuado pelos outros também papas Gregórios II e III até o ano de 741, motivo pelo qual foi nomeado ‘Canto Gregoriano’ conhecido e cantado até hoje. A tendência musical foi se desenvolvendo em partes ou vozes diferentes, acompanhadas de instrumentos, se tornando mais elaborada e não mais praticada pelo povo nas assembleias, pois eram necessários coros e músicos muito bem preparados. Porém, a Música Sacra que   sempre atraiu compositores e se fez representar na História, se distanciou da participação ativa do povo nas funções litúrgicas. Durante a Idade Média até o século XIX houve certo declínio musical devido a influencia da música profana na vida eclesial. Somente no século XX, o papa São Pio X promoveu a renovação do Canto Gregoriano com a criação de uma escola musical com a finalidade de reavivar a vida pastoral. Depois disso, somente no Concílio Vaticano II se retomou  a questão do canto.
 A SC estabelece que a Liturgia torna-se mais nobre quando celebrada de modo solene com canto (SC 113) e, segundo a Instrução Musicam Sacram, sobre Música na Liturgia (1967), o canto, especificamente a Música Sacra, é de grande importância, uma vez que mais claramente demonstra o aspecto “eclesial” da celebração, e também é muito eficaz na promoção da devoção dos fiéis nas Celebrações da Palavra de Deus, e na devoção popular.
A grande novidade do Concílio Vaticano II, no que diz respeito à música na SC, é a proposta de poder ser cantada na língua pátria, o que favorece a participação ativa da assembleia. Novas ações são recomendadas, incluindo desde uma boa formação musical nos Seminários, Instituições Religiosas e Escolas Católicas, até o incentivo à fundação dos Institutos Superiores de Música Sacra, para que os compositores, os cantores e também as crianças recebam uma verdadeira educação litúrgica (SC 115). O Canto Gregoriano tem o primeiro lugar como canto oficial próprio da Liturgia Romana, porém, todos os outros gêneros também são aceitos (SC 116). Adaptando-se às diferentes culturas, a Igreja não quer impor, porém, aceita na Liturgia tudo o que se harmonizar ao seu verdadeiro espírito e não estiver ligado a superstições (SC 37).
Na América Latina e, em particular no Brasil, a música popular encontra um grande campo de manifestação na Liturgia. Entretanto, essa manifestação deve ser entendida não pela transcrição pura e simples de melodias já existentes cantadas com outros textos, mas com características que marcam e deixam as frases musicais mais fáceis de serem cantadas por todos.
A SC estimula os cantos populares religiosos nos exercícios piedosos e sagrados (SC 118); motiva os compositores  na criação de músicas que possam ser cantadas pelas assembleias, com base nos textos da Sagrada Escritura e nas fontes litúrgicas (SC 121); pede aos instrumentistas que  procurem manter com dignidade a edificação dos fiéis, respeitando a tradição musical dos diversos povos, e culturas no caso das Missões (SC 119); e pede também que se considere o órgão de tubo e que seja usado como instrumento tradicional, que dá às celebrações um esplendor extraordinário, promovendo o espírito para Deus (SC 120) (3).
Em 1963, foi criado no Brasil o Secretariado Nacional de Liturgia, que desenvolveu a Comissão Nacional de Música Sacra, hoje Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, ligada à CNBB. Esta comissão tem realizado encontros nacionais e regionais de músicos, musicólogos e liturgistas, tendo em vista o estudo, a criação e o incentivo de uma música litúrgica brasileira. Destes encontros surgiu um grande repertório de músicas litúrgicas. Em 1989, a Assembleia Geral da CNBB através do Documento 43 -Animação da Vida Litúrgica no Brasil, recomenda que se dê “grande valor” ao canto e à música, e aponta ser fundamental que a assembleia se expresse a seu modo, e até componha seus próprios cantos (Doc 43, 208). Além disso, destaca que devem ser incentivadas as participações cantadas em partes da missa como os Salmos; a Oração Eucarística, ao menos o Prefácio; as Leituras ou a sua Conclusão; e as Aclamações devem ter mais incentivo e ser mais variadas com cantos, palmas ou vivas (Doc 43, 209). Também são consideradas fontes de expressão na Liturgia, os gestos, as posturas, as caminhadas e a dança (Doc 43, 83). Com uma visão prática, o Documento 43 ressalta a importância de se situar a Celebração no tempo e na vida da comunidade; de aprofundar as Leituras; de praticar exercícios de criatividade e formar equipes que elaborem roteiros para as Celebrações, que incluam cantos e outras manifestações artísticas.
Desde 1992, o Curso Ecumênico de Formação e Atualização Litúrgico Musical (CELMU) procura ajudar na preparação adequada de compositores (as), letristas, animadores(as) de canto, regentes e instrumentistas engajados na Pastoral Litúrgico musical. Também a Campanha da Fraternidade, desde 1964, tem organizado, anualmente, concursos que possibilitam a criação de textos e melodias sobre determinado aspecto social da realidade brasileira, e que são cantados durante todo o período da Quaresma na maioria das comunidades brasileiras.
Deste crescente movimento surgiram, a partir de 1985, os quatro volumes do Hinário Litúrgico da CNBB (Tempo do Advento e Natal; Tempo da Quaresma, Semana Santa, Páscoa e Pentecostes; Tempo Comum e Santoral), como primeira sistematização de toda a produção musical no Brasil desde o Concílio.
Há, ainda que se destacar, que houve uma popularização no uso dos instrumentos, como violões, violas, flautas, instrumentos de percussão e outros que contribuíram para a inculturação da liturgia, animando e facilitando a participação do povo nos cantos.
Na Arquidiocese de Campinas, foi criado o CEMULC (Curso  de  Extensão  em  Música Litúrgica da Arquidiocese de  Campinas) cujo objetivo principal é preparar os agentes de pastoral para que possam, em suas paróquias e comunidades, desempenhar o seu ministério em conformidade com os princípios teológicos, litúrgicos, pastorais, musicais e estéticos que justificam a Música Litúrgica.
Artes Sacras e as Sagradas Alfaias
As Artes Sacras ou Artes Religiosas são manifestações artísticas, objetos que são usados na Igreja para as Celebrações Litúrgicas ou para a catequese. Elas tendem a exprimir, pelas mãos do artista, a infinita beleza de Deus, contribuindo e conduzindo o espírito do homem até Ele (SC 122). As artes trazem uma concepção teológica que tem como finalidade propiciar ao povo cristão a experiência da leveza e beleza espiritual que se manifesta como louvor a Deus. Os objetos artísticos religiosos ajudam o povo a contemplar o mistério na medida em que fazem interiorizar e sentir o religioso manifestando-se em suas vidas. A SC cuidou para que também a Arte Litúrgica, seguisse a orientação cristocêntrica do Concílio, isto é, buscou destacar que tudo deve estar em função do Cristo. A Igreja não possui um estilo próprio de arte sacra ou religiosa, mas aceitou e aceita todas, de todas as épocas, e defende que seja também cultivada a Arte do tempo presente, de todos os povos e regiões. E, toda arte que serve de instrumento, de sinal e de símbolo do sobrenatural é amada pela Igreja, que deve ter o zelo na sua escolha, optando por obras que estão de acordo com a fé, a piedade e as orientações da tradição para serem objetos dignos, decorosos e belos ao culto. (SC123). Tanto a Introdução do Missal Romano como dos Rituais Sacramentais trazem, em si, estas orientações.
Os artistas conseguem traduzir em suas obras os sentimentos e a alma do povo, por isso, a Igreja tem necessidade de novos artistas para que surjam novas manifestações de fé através da arte. No Brasil, a Arte Religiosa pode ser constatada nas construções das Igrejas, na beleza das imagens, na dança e na pintura. Atualmente, muitas Igrejas recorrem à pintura de murais em seus interiores. Especialmente as CEB’s, com os seus famosos painéis produzidos pelos Encontros Inter Eclesiais, fizeram surgir uma arte iconográfica própria, que enaltece a dimensão comunitária da fé.
Nesta perspectiva confirmam-se, na prática, as palavras que o Papa Paulo VI dirigiu aos artistas na conclusão do Concílio: Hoje como ontem, a Igreja tem necessidade de vós e volta-se para vós. E diz-vos pela nossa voz: não permitais que se rompa uma aliança, entre todas, fecunda (Paulo VI “Aos Artistas”, 1963).
Um outro tipo de arte utilizada nas Celebrações Litúrgicas são as Alfaias, ou seja, os objetos que estão a serviço da Liturgia – mais propriamente, todos os vasos sagrados e paramentos litúrgicos utilizados pelos ministros ordenados. São eles:
Cálice: é o Vaso Sagrado por excelência e está reservado para consagração do Vinho.
Patena: é um pequeno prato, de material nobre na sua parte côncava, usado para colocar a hóstia grande que será consagrada, e também para recolher os fragmentos das partículas que caíram no corporal, sobre o altar depois da comunhão.
Pala: é utilizada para cobrir o cálice durante a Santa Missa.
Corporal: Corporale = corpo, é um tecido branco quadrado que é aberto sobre o Altar e sobre ele são colocados o Cálice e a Patena.
Sanguíneo: é um tecido usado para enxugar os lábios e os dedos do Sacerdote e, também, o Cálice depois da Comunhão.
Âmbula: é o vaso utilizado para colocar as hóstias que serão consagradas durante a Missa e distribuídas aos fiéis na comunhão.
Lavabo: é formado por uma jarra e uma bacia, utilizados para o Sacerdote lavar as mãos depois das oferendas.
Manustérgio: toalha utilizada para enxugar as mãos do Sacerdote.
Galhetas: levam o vinho e a água que são utilizados na Celebração Eucarística.
Túnica: Vestimenta do Sacerdote
Estola: que representa a autoridade do Sacerdote como o Ipse Christus, o Mesmo Cristo.
Casula: Capa usada por cima da Túnica e da Estola, usada comumente nas celebrações em dias de Festas e Solenidades.
A SC determina aos Bispos que tenham cuidado em retirar da casa de Deus, e de outros lugares sagrados, as obras de artes que não sejam condizentes com a fé, os costumes e a piedade cristã. Que a construção dos Edifícios Sagrados estejam preparados para realizar as ações Litúrgicas com a participação ativa dos fiéis. Que tanto a Arte Sacra quanto as Alfaias Litúrgicas, sejam preferidas as mais simples e nobres, não necessitando ser suntuosas (SC 124). E, que as imagens nas Igrejas estejam dispostas, em número comedido e nas devidas ordens, para a veneração dos fiéis (SC 125).
Recomenda também aos Bispos, a formação dos artistas e a criação de Escolas ou Academias de Arte Sacra onde parecer oportuno; e a vigilância no que diz respeito à construção funcional e digna dos edifícios sagrados e dos altares, a nobreza, a disposição e a segurança dos Sacrários, a dignidade do Batistério, a decoração e os ornamentos, para que estejam de acordo com a reforma da Liturgia (SC 127, 128).

(1) Apresentação do Hinário Litúrgico – CNBB – 1º Fascículo – escrita por Dom Geraldo Majella Agnelo – Paulus Editora
(2) Função Ministerial da Música na Celebração Litúrgica – Hinário Litúrgico – 3º Fascículo – Edições Paulinas
(3) Vale a recomendação, porém sabemos da enorme dificuldade de se poder contar com orgãos de tubo no Brasil.
Referências bibliográficas
Documento 43. Itaici: CNBB, 1989.
Fonseca, Joaquim, OFM. Cantando a missa e o Oficio Divino. São Paulo: Paulus, 2005.
Fonseca, Joaquim, OFM. Quem canta? O que cantar na Liturgia?São Paulo: Paulus, 2009.
Molinari, Paula (org.) Música brasileira na Liturgia (I e II). São Paulo: Paulus, 2009.
PAULO VI. Carta aos artistasRoma, 1963.
Sacrosanctum ConciliumRoma, 1963.
 Referências eletrônicas
Importância e Função do canto e da Música na Liturgia Rede Celebra Ficha 19:
O canto e a música no tempo do  Ano Litúrgico Rede Celebra – Ficha 20
Para partilhar:
1.    Na sua comunidade existe uma equipe que trabalha na escolha e nos ensaios dos cantos para, conforme a SC, “serem tanto mais santos quanto intimamente unidos à ação litúrgica”? E, que efeito a música, tocada e cantada na sua comunidade, provoca na sua oração durante as Celebrações Litúrgicas?
2.    Durante as funções, a assembleia tem participação ativa na parte musical? Quais são as diversas expressões usadas na sua comunidade nos diversos Tempos Litúrgicos?
3.    O que esta Ficha trouxe de novo para o seu conhecimento? E o que mais despertou o seu interesse, ou respondeu aos seus anseios no que diz respeito às Artes e Alfaias Litúrgicas?

Ficha 8: O Mistério da Igreja (1ª LG)
·         9 de novembro
·         por Equipe A.V.F.
·         em Fichas de Estudo
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BARCA
Constituição Dogmática LUMEN GENTIUM – Sobre a Igreja
A Luz dos Povos, a luz das gentes!
Introdução e o Mistério da Igreja (LG 01) 

Introdução
Sem sombra de dúvidas, a Lumen Gentium (LG) é um dos documentos mais importantes do Concílio Vaticano II, pois trouxe aos leigos e leigas, e à própria Igreja enquanto Instituição hierárquica – conhecida e respeitada no período pré-conciliar como uma “sociedade perfeita fora da qual não existe salvação” – uma nova imagem da Igreja como “Povo de Deus”, formada por todos os batizados em Cristo, e com Ele transformados em um Reino de sacerdotes para Deus. Sacerdotes, profetas e reis que, independentemente do sacerdócio comum ou do sacerdócio ministerial, participam do Sacerdócio único de Cristo (Heb 5,1-10).
Pelo conteúdo e pelas profundas implicações para o futuro, a elaboração e a votação da LG foram um tanto conturbadas e muito discutidas. Ao texto inicial, elaborado em quatro capítulos, foram apresentadas cerca de quatro mil emendas, o que resultou em sua alteração para sete capítulos, originando a primeira Constituição Dogmática deste Concílio. O Frei e depois Bispo, Boaventura Kloppenburg, na Introdução Geral dos Documentos do Concílio afirma que, tal como a Dei Verbum, a Lumen Gentium é dogmática porque “teve a intenção formal de ensinar, propor doutrinas e mesmo doutrinas novas” [1]. Com o texto consolidado, o Documento foi aprovado e solenemente promulgado pelo Papa Paulo VI em 21/12/1964, porém a novidade deste Documento provocou, e provoca até hoje, uma certa dificuldade de aceitação dentro da própria Igreja.
A LG está  dividida em 8 capítulos: I – O Mistério da Igreja; II – O Povo de Deus; III – A Constituição Hierárquica da Igreja e em especial o Episcopado; IV – Os leigos; V – Vocação Universal à Santidade na Igreja; VI – Os Religiosos; VII – A Índole Escatológica da Igreja Peregrina e sua União com a Igreja Celeste; e VIII – A Bem-Aventurada Virgem Maria Mãe de Deus no Mistério de Cristo e da Igreja. Neste estudo, eles serão tratados em cinco Fichas assim nomeadas: I) Introdução e O Mistério da Igreja; II) O Povo de Deus; III) Uma Igreja Ministerial;  IV) Vocação à santidade e índole escatológica da Igreja; V) A Bem-Aventurada Virgem.
Capítulo I – O Mistério da Igreja
O primeiro capítulo da LG aborda o Mistério da Igreja, afirmando que “Cristo é a luz dos povos” cuja claridade resplandece na face de uma Igreja que se mostra em Cristo, ao mundo, como sacramento ou sinal, e também como instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano. “E, retomando os ensinamentos dos Concílios anteriores, ela deseja oferecer aos seus fiéis e a todo o mundo, um ensinamento mais preciso sobre sua natureza e sua missão universal” (LG1). Ao expor que “as presentes condições do mundo tornam ainda mais urgente este dever da Igreja, a fim de que todos os homensalcancem também a unidade total em Cristo”, a LG assume a necessidade de dialogar com a modernidade, com as demais confissões cristãs e com as religiões não cristãs.
Aborda também o Plano Divino para a salvação, pela bondade, sabedoria, e vontade livre e insondável do Pai Eterno ao criar o mundo, decidindo elevar os homens à participação da sua vida divina, não os abandonando quando pecaram em Adão, mas sempre lhes proporcionando auxílios necessários para se salvarem, na perspectiva de Cristo Redentor, Aquele que cumprindo a vontade do Pai Eterno em plena obediência aos seus desígnios, instaurou na Terra o Reino dos Céus cujo mistério nos revelou e consumou a redenção resgatando o gênero humano, oferecendo a salvação (LG2).
A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo, já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Ela é parte do plano de salvação de Deus. Ela não é nossa, é de Deus. Sua missão é ser o lugar, o espaço, a comunidade onde a humanidade pode encontrar Deus em Jesus Cristo e ser santificada no seu Espírito Santo. Por isso, a Igreja, preparada pelo Pai, fundada pelo Filho e continuamente santificada pelo Espírito, é semente do Reino de Deus que nela já atua misteriosamente. É nela que se experimenta, de modo mais intenso, o Reino trazido por Jesus!
Tal começo e crescimento da Igreja, são expressos no Sangue e na Água que brotaram do lado aberto de Jesus crucificado (Jo 19,34), e anunciadosnas palavras do Senhor acerca da Sua morte na cruz: «Quando Eu for elevado acima da terra, atrairei todos a mim» (Jo, 12,32). Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual «Cristo, nossa Páscoa, foi imolado» (1Cor 5,7), realiza-se também a obra da nossa redenção. Pelo Sacramento do Pão Eucarístico, ao mesmo tempo, é representada e se realiza a unidade dos fiéis, que «constituem um só corpo em Cristo» (1Cor 10,17). Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos (LG3).
Consumada a obra confiada ao Filho, Deus envia o Espírito Santo para santificar a Igreja que nascia, para assim dar acesso aos crentes até o Pai, por Cristo, num só Espírito. Pelo Espírito da vida, fonte que jorra para a vida eterna, o Pai dá vida aos homens mortos pelo pecado, até que um dia ressuscitem em Cristo seus corpos mortais. Este Espírito que habita na Igreja e no coração dos fiéis, como num templo, leva a Igreja ao conhecimento da verdade total, unificando-a na comunhão e no mistério, dotando-a e dirigindo-a com os diversos dons hierárquicos e carismáticos, embelezando-a com seus frutos e rejuvenescendo-a com a força do Evangelho (LG4). Enriquecida pelos dons de seu Fundador, a Igreja recebe a missão de anunciar e estabelecer em todas as gentes, o Reino de Cristo e de Deus, se constituindo, ela própria, na Terra, o germe e o início deste Reino.
O mistério da Santa Igreja manifesta-se na sua fundação. O Senhor Jesus deu início à Sua Igreja pregando a Boa Nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras: «cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo» (Mc 1,15; Mt 4,17). Este Reino manifesta-se na palavra, nas obras e na presença de Cristo (LG5).
A Igreja nos dá a conhecer sua natureza íntima, servindo-se das várias imagens vislumbradas na Sagrada Escritura: como redil, cuja única e necessária porta é Cristo (Jo 10,1-10); comorebanho, do qual o próprio Deus é Pastor em Cristo (Jo 10,11; 1Ped 5,4); como lavoura ou campo de Deus (1Cor 3,9), onde cresce a oliveira antiga, cuja raiz santa são os patriarcas e da qual se obteve e se completará a reconciliação dos judeus e dos gentios (Rom 11,13-26); como construção de Deus (1Cor 3,9), na qual Cristo se comparou à pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou a pedra angular (Mt 21,42); e, ainda, comoJerusalém celeste e Nossa Mãe (Gál 4,26) descrita no Livro do Apocalipse (19,7; 21,2.9; 22,17) como a “Esposa Imaculada” do Cordeiro Imaculado (LG6).
Refere-se, ainda, como Corpo Místico de Cristo (1Cor 12,13) cuja Cabeça é o próprio Cristo e cujos membros são seus filhos configurados com Cristo pelo Batismo, formando o corpo da Igreja. Entre os membros existe a diversidade de funções, e esta diferença provém dos dons do Espírito Santo que os distribui conforme as necessidades da Igreja para formarem um corpo único, assim como o corpo humano, cujos membros devem se conformar com a Cabeça, que é o Cristo Senhor, imagem do Deus invisível (LG7).
Cristo como mediador único, constitui e sustenta indefectivelmente [2] a sua Igreja Santa sobre a terra, como organismo visível, comunidade de fé, de esperança e de amor e, por meio dela, comunica a todos a verdade e a graça (presença de Deus nos homens). No entanto, esta Igreja é uma sociedade dotada de órgãos hierárquicos, além de ser também o corpo místico de Cristo; é uma assembleia visível e uma comunidade espiritual. A Igreja terrestre e a Igreja ornada com os dons celestes não devem ser consideradas como duas entidades, mas como uma única realidade complexa, formada pelo duplo elemento humano e divino. É, portanto, ao mesmo tempo uma Igreja visível e espiritual, que continua seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, anunciando a cruz e a morte do Senhor, até que Ele venha e se manifeste em luz total na Parusia [3], final dos tempos (LG8).

[1]  Kloppenburg, B., Introdução Geral aos Documentos do Concílio, Compêndio do Vaticano II,  1968, Ed. Vozes,  4 ed. p. 17.
[2] Indefectivelmente – Que não pode falhar ou deixar de ser: apoio indefectível. Certo, infalível.
 [3] Parusia – Segunda vinda de Cristo; termo usualmente empregado com a significação religiosa da “volta gloriosa de Jesus Cristo, no final dos tempos, para presidir o Juízo Final” (Dn 7,13-14; Mt 24,29-31). Fonte: Wikipédia – Para mais informações:  Eucaristia é Parusia -  Parusia – A Segunda Vinda de Cristo.
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E-referências
Costa, Henrique Soares da,  A Lumen Gentium.
CNLB, Igreja  Mistério.
Para refletir:
1) Sendo Jesus Cristo a Luz dos povos, em que perspectiva a Igreja pode também ser assim chamada (Luz dos povos)?
2) Partindo do pressuposto que a Lumen Gentium nos proporcionou uma nova visão da Igreja e de seu relacionamento com o mundo, a você parece importante ou necessário que ela seja conhecida, difundida e estudada?  Após este estudo sobre a Constituição Lumen Gentium, o que você destaca de importante para a vida dos fiéis e da Igreja, e por quê?
3) Das várias imagens da Igreja que a Lumen Gentium nos apresenta, qual delas melhor a identifica para você e por quê? Você acrescentaria alguma outra imagem com a qual a Igreja pudesse ser apresentada?