segunda-feira, 11 de julho de 2011

A ARTE DE EDIFICAR O AMOR

I-O AMOR CONCRETIZA-SE EM ATITUDES

O Amor é uma dinâmica relacional de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.

Por outras palavras, o amor não é uma teoria, mas uma dinâmica relacional que se torna real em atitudes concretas.

Apesar de nunca se impor, o amor propõe-se e insinua-se, convidando a pessoa a eleger o outro como alvo de bem-querer.

Em primeiro lugar o amor convida-nos a aceitar o outro tal como ele é e a agir de modo a facilitar a sua realização e felicidade.

Eis algumas propostas importantes que o amor faz às pessoas que o tomam a sério:

  • Convida a pessoa a estar presente junto do outro nas horas difíceis.
  • Edifica na cooperação solidária e não na concorrência.
  • Tudo faz para que o outro goste de si, valorizando as suas realizações e empenhamentos.
  • O amor ajuda o outro a superar a solidão e a suportar os fardos com que a vida, por vezes, nos carrega.
  • O amor sente alegria de ver o outro a crescer como pessoa realizada, amadurecida e feliz.

II-O ENSINAMENTO DE JESUS SOBRE O AMOR

O amor gosta de dar oportunidades ao outro, ajudando-o a crescer como pessoa livre, consciente e responsável.

O amor nunca substitui o outro, mas cultiva a arte de ajudar sem se sobrepor.

O amor insinua atitudes e gestos com sabor a doação e disponibilidade.

Por outras palavras, sugere a eleição do outro pelo que ele é e não por fazer aquilo que nós queremos.

A pessoa que se deixa interpelar pelas sugestões profundas do amor compreende perfeitamente o ensinamento de Jesus que diz que é melhor dar que receber.

O amor procura ajudar o outro a descobrir sentidos para viver de modo construtivo e empenhado, condições para se sentir válido e feliz.

Amar é ser capaz de ficar calado quando se está magoado, esperando a oportunidade certa para dialogar serenamente.

O amor convida-nos a acreditar no outro e não pretendermos que a nossa opinião é a única certa e válida.

Amar é estar atento, sabendo escolher como tema de conversa e passatempo assuntos que têm interesse para o outro.

É também saber calar-se quando nos damos conta que a conversa está a cansar.

Amar implica saber olhar as qualidades do outro e não girar obsessivamente em volta dos seus defeitos.

O amor convida a partilhar não apenas o que a pessoa tem, mas também e, sobretudo aquilo que ela é.

O amor sabe que a disponibilidade para escutar e acolher é mais importante do que os presentes.

Amar é acolher as diferenças, a fim de o outro ser tal como é, e não pretender que ele seja uma cópia de mim.

Ama mais e melhor quem dá o primeiro passo na linha da reconciliação. Foi assim que Deus agiu para conosco em Jesus Cristo.

III-JESUS LEVOU O AMOR À PLENITUDE

Jesus levou o amor até à sua expressão máxima: “Dar a vida pelo amigo”.

Eis o que ele nos diz no evangelho de São João: “É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13).

O amor á rocha firma para edificarmos a casa da nossa realização pessoal em contexto de comunhão amorosa.

Podemos dizer que o amor é a veste indispensável para participarmos no banquete da vida, tanto Na vida presente como na plenitude do Reino de Deus.

As pessoas que vivem em contexto de reciprocidade amorosa sentem-se estimadas, valorizadas e, portanto, capacitadas para render o melhor dos seus talentos.

Na reciprocidade amorosa há lugar para a diferença, pois cada pessoa se sente chamada a realizar-se como ser único, original e irrepetível.

A pessoa que ama procura compreender os outros na sua realidade mais profunda, a fim de facilitar a sua realização e poder aceitá-la nas suas diferenças.

O amor convida a estar atento às crises de crescimento das pessoas com quem vivemos, a fim de ajudá-los a superar essas crises e a entrar no novo limiar do seu crescimento pessoal.

O amor convida a cultivar relações que se desenvolvam numa linha de verdade e autenticidade.

Também convida a aceitar a história do outro, condição essencial para compreendê-lo e aceitar assim como são.

O amor ajuda-nos a olhar os outros como um dom, pois são mediações que Deus nos dá para nos podermos realizar como pessoas.

O amor convida-nos a não pretendermos ser bons em tudo, aceitando que há aspectos em que os outros são melhores do que nós.

Para amar bem a pessoa do outro é importante apreciar a sua originalidade e diferença, deixando-a ser igual a si própria.

Os cristãos sabem que o Espírito Santo é uma pessoa cujo jeito de ser é animar e otimizar as relações de amor.

No dia a dia ele vai-nos recordando que amar é eleger o outro como alvo de bem-querer. Aceitando-o como é, apesar de ser diferente, e agir de modo a facilitar a sua realização e felicidade.

Padre Calmerio Matias

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