sexta-feira, 15 de julho de 2011

E por falar em misericórdia

A CAMINHO...

Muitas pessoas hoje em dia pensam: “Deus não existe, se existisse não permitiria tanto sofrimento”. Deus não fez o sofrimento, mas o permite por causa do pecado original, dos nossos próprios pecados e das estruturas sociais injustas. Tudo o que acontece neste mundo Deus dirige ou permite, porque respeita a liberdade do homem poder escolher entre o bem e o mal.
Várias pessoas se afastam de Deus, cometendo coisas abomináveis e não lhes acontece nada de ruim. Quando alguém diz que estão no mau caminho, elas respondem: “pequei, e o que me aconteceu?” Outras dizem: “a misericórdia de Deus é grande, ele perdoará todos os meus pecados”, mas não se arrependem.
É verdade, muitas pessoas levam uma vida com orgulho, ambição e maldade e Deus não as castiga. Mas a bíblia diz que é grande a paciência do Senhor (Eclo 5,4). Ou seja, ele não deseja a ruína a ninguém, mas concede tempo para a pessoa se arrepender de suas iniqüidades. Pelo arrependimento e pela prática da justiça, poderemos ser salvos (Ez 18,21e30). A bíblia nos exorta para a prática das boas obras: “De que aproveitará meus irmãos, a alguém, dizer que tem fé, se não tiver obras?” (Tg 2,14). Tanto a fé como as obras são necessárias para a salvação. Se bastasse apenas a fé, até os demônios seriam salvos, pois eles também crêem (Tg 2,19). A bíblia diz que seremos julgados segundo as obras de misericórdia que praticarmos.
Irei fazer um breve comentário sobre algumas dessas regras que a bíblia nos exorta a praticar:
Tratar a todos com respeito. Não devemos fazer distinção entre as pessoas. Muitos têm o hábito de tratar os ricos com mais delicadeza, e com os pobres, tem pouca ou nenhuma consideração. Ora, Deus escolheu justamente os pobres como ricos na fé e herdeiros do reino (Tg 2,1-9). Oprimir ou desprezar o pobre é blasfemar o nome de Cristo. Isto não quer dizer que os ricos estão perdidos, mas que os pobres são mais puros no relacionamento com Deus. Sofrem qualquer sorte de humilhação e desprezo e permanecem fiéis a Deus.
Amar os inimigos e orar por eles. A maioria das pessoas só gosta daqueles que lhes fazem o bem. Se amarmos só as pessoas que nos amam, que recompensa teremos da parte de Deus? (Mt 5,43-47). Portanto, não devemos desejar o mal a quem nos persegue, mas amar e orar por eles: são todos filhos do mesmo Pai. Evitar fazer o bem diante das pessoas só para ser visto.
Há pessoas que gostam de fazer o bem ou dar esmolas na frente de outras, fazendo questão de mostrar que estão ajudando, pois não o fazem por fidelidade a Deus, mas fazem porque querem ser glorificadas e admiradas pelos homens. Essas pessoas não terão recompensa, pois já foram recompensadas (Mt 6,1-4). Devemos fazer o bem por amor à palavra de Deus. Por que ele te vê no oculto e te dará a recompensa em público.
Romper com a mente interesseira. Jesus disse: “Quando deres um jantar ou uma ceia, não chames os amigos, parentes nem os ricos, para não suceder que por sua vez eles te convidem e assim, já tenhas a recompensa. Quando deres um jantar chama os pobres, os entrevados e os coxos, e assim serás lembrado, pois estes não têm com que pagar. Receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Lc 14,12-14). Há aquele tipo de pessoa interesseira que só gosta de agradar a quem possui bens materiais, com intenção de usufruir destes. Muitas pessoas só ajudam porque pensam: “eu devo ajudar este homem, porque um dia eu precisarei dele”, e com isso só prestam favor àqueles que podem retribuir, negando aos que não podem. Mas Jesus adverte: ajudar principalmente os que não podem retribuir. Ser humilde.
A grande maioria das pessoas é ambiciosa. Não se conformam “tendo”, mas é preciso que tenham mais do que as outras. Há outros que sempre escolhem os primeiros lugares em tudo: seja numa reunião, numa viagem, na escola etc. Não basta somente um bom lugar, é preciso o melhor lugar. Há também aqueles que gostam de se exaltar, considerando-se mais importante e melhor que os outros. Para essas pessoas Jesus diz: “Quando fores convidado por alguém para uma festa de casamento, não te sentes no primeiro lugar, para não suceder que chegue também outro convidado mais importante que tu, e aquele que ti convidou te diga: cede teu lugar para este. Então, tu, cheio de vergonha vai ocupar o último lugar. Ao invés de te sentares no primeiro lugar, senta-te logo no último lugar. Então, quando chegar aquele que te convidou, dirá: amigo, sobe mais para cima. Aí terás grande honra na presença de todos” (Lc 14,8-11). Com isso, Jesus nos mostra que todo aquele que se humilhar será exaltado, e quem se exaltar será humilhado. Devemos ser humildes em tudo, não pensando em ser exaltado, mas por amor à palavra de Deus.
Não julgar. São muitas as pessoas que vivem julgando as ações dos outros. Algumas dizem: “Ele roubou e matou, merece ir é pro inferno”. Todos nós somos pecadores, portanto, não cabe a nós definir o que de ruim alguém merece. Julgar é condenar. Pelo critério que você utilizar para julgar, através dele será julgado (Mt 7,1-2). “Quem fala mal do irmão ou o julga, fala mal da lei e a julga. E se julgas a lei, não é observador da lei, mas juiz. E um só é juiz, que pode salvar e perder: Jesus Cristo” (Tg 4,11-12). Jesus não proíbe a avaliação objetiva dos fatos, mas a leviandade com que se condenam as ações do próximo sem conhecer suas intenções. Este julgamento somente a Deus compete. Devemos amar e pedir a Deus que perdoe as faltas dos nossos irmãos, ao invés de condená-los. O próprio Jesus, ao ser crucificado, nos deu um exemplo disso: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34).
Oração em comunidade. Devemos orar não só por nós mesmos, mas por todos os homens, porque Cristo morreu por todos. “Recomendo que se façam orações, preces, súplicas e ações de graça por todos os homens, reis e autoridades a fim de gozarmos de vida sossegada e tranqüila. Isto é bom e agradável a Deus” (1Tm 2,1-3). Praticar a caridade e misericórdia.
A caridade não é simplesmente um ato de “dar esmolas”, mas principalmente amar o próximo: “Quem despreza o próximo peca, é feliz aquele que se compadece dos humildes” (Pr 14,21). “Quem ajuda um necessitado empresta ao Senhor, que lhe recompensará o benefício” (Pr 19,17). O evangelista Mateus fala como seremos julgados: “E Jesus dirá aos que estão à sua direita: vinde, tomai posse do reino preparado para vós. Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estive nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, estava preso e viestes ver-me. Então, os justos responderão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te alimentamos? Quando foi que te vimos enfermo ou na cadeia e fomos te visitar? E Jesus dirá: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos menores, foi a mim que o fizestes”. Leia também At 10,2-6.
Jesus está presente nos pobres e necessitados, de modo que, negar ajuda a um destes é negar a Jesus como Salvador. Quem ajuda os pobres, doentes e humilhados, se entrega a Jesus. “Felizes os que se compadecem, porque alcançarão misericórdia”(Mt 5,7). Jesus disse: “Ai de vós, fariseus e escribas hipócritas que pagais o dízimo, mas não vos preocupais com o mais importante da Lei: justiça, misericórdia e fidelidade. É isso o que importa fazer, sem, contudo omitir aquilo” (Mt 23,23). Participar da igreja é importante, e melhor ainda é praticar a caridade. Na primeira carta de Paulo aos coríntios, ele fala da importância da caridade: “No presente permanecem as três: fé, esperança e caridade, porém, a maior é a caridade” (1Cor 13,13). A misericórdia é mesmo o mais importante de todos os dons. Sem ela, os outros dons nada valem. Ela vence as maldades do egoísmo, por isso permanece para sempre, enquanto os outros dons desaparecerão (1Cor 13,8).
Portanto irmãos, falem e procedam como alguém que há de ser julgado pela lei da liberdade. Pois sem misericórdia será julgado quem não fez misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo (Tg 2,12-13). 

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