quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fragmentos de alegria


Em 1966, através de sua arte musical, Chico Buarque nos falava da efemeridade com que as pessoas acolhiam a novidade, o belo, a mudança.  A novidade nos faz levantar e se interessar, mas só enquanto é novidade ou enquanto está em evidência. Depois..., bem, depois cada qual volta para o seu dia-a-dia, esquecendo-se até mesmo da alegria que a novidade lhe causou. Não mais buscamos fazer da novidade, do belo, um mote para buscar novas mudanças e, portanto, mais alegria.


Vivemos hoje de fragmentos da alegria. Cada qual buscando seus próprios fragmentos. Perdemos o sentido e a capacidade de juntarmos nossos fragmentos aos dos demais e com isso construir uma alegria permanente ou, pelo menos, duradoura.  Cada um vive seu fragmento de modo particular e egocêntrico, esperando sempre que uma novidade venha lhe proporcionar novos fragmentos.

Corre um ditado popular que diz: "As pessoas se esquecerão do que você disse... as pessoas se esquecerão do que você fez... mas as pessoas nunca se esquecerão de como você as fez sentir."

Acho que esse ditado perdeu sua validade nos tempos que correm. Atualmente, até mesmo o que se sentiu não é mais lembrado. É cada qual no seu canto, e em cada canto uma dor, esperando que uma nova banda passe e nos faça, por alguns momentos, nos levantarmos. Depois, cada qual volta para seu canto. Esperando, quem sabe, novas coisas de amor.

Amor??? O que é isto mesmo???

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou


E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor...


Mas, a esperança não morre jamais. Junto com Chico, no mesmo festival de música, Geraldo Vandré e Théo de Barros mostravam que não se pode parar, se acomodar. Se a nossa banda não conseguiu despertar as pessoas para continuarem buscando a alegria da convivência e da partilha, pegamos nossa viola e vamos cantar noutro lugar ou outras músicas, para outras pessoas. O importante é continuar cantando nossa alegria. E em disparada!

Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto prá enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar

Gazato

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