sexta-feira, 6 de maio de 2011

“A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO”

“A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO”

Gravura de Rembrandt
O retorno do filho pródigo - 1636
Desde o início do ano passado, quando terminamos o curso on-line “A Web e a Evangelização” realizado pela Arquidiocese de Campinas, através do “AVF–Ambiente Virtual de Formação” criamos um pequeno grupo que interage entre si e participa, semanalmente, de uma conferência on-line pelo Skype. Destas reuniões virtuais surgiu a idéia proposta pelo Coordenador do curso, Prof. Pedro Rigolo, de elaborarmos estudos teológicos de textos, livros ou assuntos controvertidos. Foram vários os textos e assuntos discutidos, analisados e partilhados. Refletimos ainda sobre dois livros: o primeiro foi “Vaticano II – A primavera interrompida”, que é uma coletânea de vários artigos elaborados por renomados teólogos da América Latina. O resultado deste estudo irá produzir seus frutos, esperamos, dentro de algum tempo, através de um trabalho que está em elaboração. O segundo livro foi “A volta do filho pródigo”, do Padre Henry J. M. Nouwem, falecido há alguns anos. O livro nasceu do encontro do autor com uma reprodução da tela de Rembrandt chamada “A volta do filho pródigo”. Este encontro resultou numa longa jornada espiritual, que deu origem ao livro. No decorrer de nossas reflexões, Márcia Resck sugeriu a abertura de um documento, no Google Docs, objetivando a captação das reflexões de cada integrante do nosso grupo, com a intenção de publicá-las ao final. Elaboramos uma parte introdutória e a seguir passamos para as reflexões pessoais. Ainda não está terminada esta tarefa. Alguns dos integrantes do grupo colaboraram com suas reflexões integrais, outros de forma parcial, e alguns ainda não apresentaram suas contribuições. Mas resolvemos publicar o que já temos, com a proposta de ir acrescentando as postagens na sequência, já que cada texto é independente dos demais. Não alteramos os textos uns dos outros. Cada qual elabora sua reflexão e a posta para conhecimento e leitura dos demais. Ao final, pensaremos numa crítica construtiva quanto os textos postados, inclusive, com a colaboração dos eventuais leitores.

Segue então o que já temos destes estudos e reflexões:

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Falar sobre o filho pródigo...

Autores: Pedro Rigolo Filho, Márcia Aparecida Resck,
Mônica Moreira, Maria Lúcia Pascoal, Aluizio Oliveira,
Carlos Francisco Signorelli, Antonio Gazato Neto, ....
    
Nosso grupo de estudos, oriundo do curso a “web e a evangelização” adquiriu como hábito, refletir sobre determinados assuntos da teologia. Por sugestão de alguém do grupo, escolhemos estes assuntos e tentamos dissecar todas as possibilidades e nuances de reflexão. Foi assim com o livro “A primavera interrompida”, estudando o Vaticano II indicado pelo Pedro Rigolo. Como crescemos com este estudo! Depois estudamos a questão da “Igreja: carisma e poder”, indicado pelo Carlos Francisco Signorelli, que nos fez pensar o que “é ser Igreja”. Por último, com nova indicação do Pedro, passamos a estudar e refletir sobre o livro de Henri J.M. Nouwen, “A volta do filho pródigo”.
Este último estudo teve uma particularidade muito interessante, que nos levou a prolongar por muito tempo nossas meditações. Quando Pedro indicou o estudo, a primeira providência para todos foi a aquisição do livro. Todavia, quando saímos a campo, percebemos que seria muito difícil concretizar esta aquisição, porque a última edição estava esgotada e não havia previsão de nova edição pois que, segundo informação de uma livraria, a família de Nouwen estava relutante em autorizar a impressão de nova edição. Cabe informar que o Padre Nouwen, que era holandês, faleceu em 1.996. Ao final, segue uma pequena biografia* elaborada por Jonathan Menezes.
Mesmo assim, tentamos durante muito tempo encontrar exemplares do livro, mas sem sucesso. Como queríamos fazer o estudo, pois Pedro e Márcia, componentes do nosso grupo elogiavam muito o livro e informavam da sua real importância, decidimos, não sem controvérsia, extrair cópias de um dos exemplares e distribuí-las ao grupo. E foi o que fizemos. Neste ínterim, enquanto não tínhamos a cópia, em nossas reuniões virtuais pelo Skype, o Pedro e a Márcia adiantavam alguns tópicos ou passagens do livro e sobre estes nós conversávamos e refletíamos. Mas, é claro, não era uma reflexão muito profícua, por parte dos que não tinham conhecimento do material.
Quando, enfim, conseguimos as cópias, nosso grupo, por conta de certas contingências, acabou encontrando dificuldades para manutenção dos chats. Mesmo assim prosseguimos e chegamos ao material aqui postado que, certamente, será acrescidos de outras colaborações.
A princípio, convém fazer um brevíssimo resumo do livro, para que o leitor possa ter ao menos uma pálida idéia de seu conteúdo, para aqueles que não o conhecem, é claro. Pegamos emprestado, para esta finalidade, um depoimento da internet, do qual infelizmente não anotei o endereço e já não o encontro mais. Mas, o transcrevemos:

O livro chama-se A Volta do Filho Pródigo e foi escrito por um holandês chamado Henri Nouwen.
Há muito debate sobre a função que a arte deveria exercer sobre a sociedade. Não acredito em arte engajada, mas acredito que uma obra de arte deva ser uma fonte de beleza na vida, deva inspirar quem a observa.
E foi isso que o quadro A Volta do Filho Pródigo de Rembrandt van Rijn fez com o padre Nouwen.
Nouwen conheceu o quadro por uma reprodução pregada na porta do escritório de uma amiga. Ficou tão obcecado pela pintura que acabou indo ao Hermitage em São Petersburgo na Rússia para admirá-lo ao vivo.
Sua atenta meditação sobre cada pormenor da pintura o levou a escrever este livro, que é uma viagem espiritual inspirada pela obra, pela vida de Rembrant e pela sua própria experiência.
O quadro mostra a hora em que o filho pródigo, que tinha abandonado o lar e torrado sua parte da herança com festas, jogos e prostitutas regressa, pobre, sofrido e arrependido ajoelhando-se aos pés do pai que o acolhe, enquanto o irmão ressentido o observa.
Toda a luz da pintura emana dessa figura paterna que acolhe o filho que estava perdido e foi encontrado, é nesse abraço cheio de perdão que está a emoção da cena.
Deus, ou a figura do pai, é aquele que ama incondicionalmente tanto o filho pródigo que volta aos seus braços como ao filho obediente, porém egoísta e ressentido.
De fato, Nouwen acha que nos comportamos ora como o filho pródigo ora como o filho ressentido. Somos amados e não sabemos, por isso nos afastamos ou nos tornamos egoístas. A grande jornada espiritual de cada um é saber ser amado como o filho, mas amar como o pai.
Rembrandt van Rijn teve fama e fortuna em sua época, gastou tudo o que podia com uma vida cheia de excessos, mas também era egoísta e interesseiro, sofreu e perdeu dinheiro e família e no fim morreu só e pobre. Também ele, em sua vida foi o filho pródigo, o filho mais velho e no final percebeu, se pintando como o pai, que figura ele deveria ser.
Uma bela lição de arte e espiritualidade, e um chamado a uma transformação.

Como acréscimo, transcrevemos ainda uma resenha do livro, elaborada por Priscila Guerra Prad intitulada “TRÊS PERSONAGENS QUE TAMBÉM HÁ EM VOCÊ”:

NA VOLTA DO FILHO PRÓDIGO COM REMBRANDT E NOUWEN” em cumprimento às exigências da disciplina Relacionamentos II da Professora Sônia Gertner para o Curso de Formação Integral do SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO SUL DO BRASIL, em 2009. O texto é um pouco longo, porém vale a pena sua leitura, principalmente para aqueles que estão interessados em aprofundar sua espiritualidade:

       NOUWEN, Henry J. M. A Volta do Filho Pródigo: a história de um retorno para casa. São Paulo: Paulinas, 2008.
Henry Nouwen demonstra muito bem que o cristão tem um pouco das três personagens, porque filho tende a ter conflitos com seu pai de uma maneira ou de outra, assim relaciona-se ao filho mais moço por “deixar a casa espiritual”, “a morada tão perto” (p.41), em outras palavras, o relacionamento íntimo com Deus. O filho mais velho também, pois tem inveja, não é perfeito, faz coisas por obrigação, e todo ser humano tem a sua falha, o seu orgulho que muitas vezes o leva a um sentimento de inferioridade por se achar tão digno de alguma glória, mas que não recebeu. E pai porque quer se assemelhar ao pai e como Jesus, ter este amor incondicional, para essa demonstração o autor usa as estruturas, títulos e subtítulos de cada capítulo das três partes divididas em Filho mais moço, mais velho e pai.
Há uma semelhança entre Rembrandt e o Filho mais moço, e no primeiro capítulo Nouwen atém-se a apontar estas similaridades. O Filho mais moço da parábola pede a sua parte na herança de seu pai, o que lhe confere a característica de egoísta, que pensa primeiramente em si, e parte “para uma região longínqua”, no tempo moderno diria que se aventurou pelo mundo. Não agiu diferente Rembrandt que como “jovem orgulhoso por demais convencido de seu próprio talento e desejoso de explorar tudo o que o mundo tem a oferecer (...). Ele ganhou muito, gastou muito e perdeu muito”. (p.36).
O segundo capítulo, a Partida do filho mais jovem, representa o rompimento da tradição que o filho foi criado, onde a “maneira do filho partir é equivalente a desejar a morte de seu pai” (p.40). Ao voltar comprova-se o “infinito amor compassivo de Deus” (p.42) que recebe seu filho por mais que tenha sido Insensível à voz do amor. Esta voz que Jesus ouviu e que pode ser ouvida por todo aquele que se permite ao toque. Para testificar este princípio de relacionamento íntimo com Deus, Nouwen cita Elias quando foi encontrar-se com o Senhor na montanha, tendo passado o furacão, o vento, o terremoto, o fogo, “veio alguma coisa muito suave (...). Tendo Elias ouvido isto cobriu o rosto com o manto porque sabia que Deus estava presente. Na sua doçura, a voz era o toque e o toque era a voz”. (p.45). Porém, o ser humano, o filho mais moço e o próprio autor do livro, sai de casa procurando onde não pode ser encontrado o amor. Procura no mundo, mas “o que este oferece não preenche o anseio mais íntimo do meu coração” (p.47).
Ao notar que está perdido, “quando nenhum dos seus companheiros mostrou o menor interesse por ele” (p.52), o filho mais moço percebeu “que estava a caminho da morte (...) um passo a mais o levaria à autodestruição”. (p.53).  Assim no terceiro capítulo ocorre A volta do filho mais jovem, que tendo reconhecido o seu erro, retorna a casa de seu pai Reivindicando a filiação, porém “o caminho para casa é longo e difícil” (p.57), porque receber o perdão de Deus é um dos grandes desafios da vida espiritual, “exige uma absoluta aceitação para deixar Deus ser Deus e fazer toda a cura, restauração e reparos”(p.59). Sendo que Jesus tornou-se o verdadeiro filho pródigo (p.61) ao vir a terra “deixou a casa de seu Pai celeste, veio a um país distante, desfez-se de tudo o que possuía, e por meio da cruz voltou à casa do Pai”. Nouwen faz esta analogia consciente que “é pouco provável que Rembrandt tenha pensado desta maneira sobre o Filho Pródigo” (p.64).
Assim como na primeira parte do capítulo um, no quarto capítulo Nouwen relaciona a personagem ao pintor, nesta segunda parte do livro, portanto, o protagonista é Rembrandt e o Filho mais velho. Assim como havia semelhanças com o filho mais jovem, muito há em comum entre estes também, já “que Rembrandt estava muito mais sujeito às exigências de seus patrocinadores e à sua necessidade de dinheiro” (p.71), “era conhecido por muitas vezes agir de forma egoísta, arrogante e até vingativa” (p.72).
Numa análise do quadro com a parábola, Nouwen não foge de sua proposta. Neste quinto capítulo aponta as características da obra, a maneira que Rembrandt pintou as personagens e seus respectivos significados, assim, concluiu que a figura do filho mais velho em pé com mãos entrelaçadas simboliza que perdido em ressentimento e sem alegria o filho “que ficou em casa também se tornou um homem perdido (...), no íntimo, se afastou bastante de seu pai” (p.76). Assim, também O Filho Mais Velho Parte e fica Uma questão não resolvida entre a família, e principalmente entre o pai e filho, problema que “só do alto pode vir a minha cura” (p.84), pois “Com Deus tudo é possível”.
O capítulo seis dá esperança a este filho também perdido, o pai acredita que é uma conversão possível de se acontecer e deseja também A volta do filho mais velho e demonstra o seu “amor irrestrito que elimina qualquer possibilidade de que o mais jovem seja mais amado do que o mais velho” (p.88). O desafio aqui é deixar de lado a rivalidade, o egoísmo, todo e qualquer tipo de rancor mediante a confiança e gratidão pelo pai que está sempre disposto a amar e perdoar e entregar o melhor a seus filhos, pai que “responde a ambos de acordo com suas peculiaridades” (p.89). Nouwen reconhece em todos os personagens a sua semelhança, não diferente, reconhece que também precisa encarar este desafio de não ouvir sua própria voz (p.93) que é tenebrosa e retira toda a confiança no pai; e novamente relaciona também a Jesus, sendo ele O verdadeiro filho mais velho, pois “Tudo que Jesus diz a respeito de si próprio o revela como o Filho amado, aquele que vive em plena comunhão com o Pai” (p.96).
Na parte três aponta as características e o alvo de ser parecido com O Pai, assim, primeiramente o autor relaciona Rembrandt e o pai, para Nouwen “tudo aqui se une- a história de Rembrandt, a história da humanidade, a história de Deus. (...) o humano e o divino são um só” (p.101). O Amor do Pai é demonstrado por Rembrandt com profundo carinho, misericórdia e perdão, pela maneira que ele abraça seu filho e cada característica desta cena é vista pelo autor com muita profundidade, as características físicas do pai “dá à figura paterna por Rembrandt uma força inexplicável é que o essencialmente humano. Vejo um velho quase cego, com bigode e barba, vestido num traje bordado a ouro (...), entretanto, compaixão infinita” (p.103).     
No capítulo oito O pai acolhe o filho de volta a casa como um Pai e como uma mãe, onde uma de suas mãos é masculina e a outra feminina (p.108), pois no quadro a mão direita é diferente da esquerda, uma é mais musculosa, aparenta colocar uma determinada força exercendo pressão sobre o ombro do filho, a outra mais delicada, com certa elegância. Em suma fala deste tão grande amor que não compara o melhor, o mais certinho, e o pior, aquele que me abandona ou que não amo tanto, então este amor é incondicional. Nem mais, nem menos, pois há espaço para cada um dentro do grande coração de Deus que “se volta para os seus dois filhos, ele ama a ambos” (p.114).
O pai quer comemorar dando o melhor de si e do que possui, faz uma grande festa e “veste seu filho com todos os sinais de liberdade dos filhos de Deus. Ele não quer que sejam servos ou escravos” (p.121). Um convite a alegria é o caminho oferecido por Deus, um caminho que possui sim as tristezas, “pois no mundo tereis aflições”, Jesus “fala sobre guerras e revoluções, terremotos, pestes e escassez, perseguição (...) no meio de tudo isso a alegria de Deus pode ser nossa” (p.127). Como todo final de capítulo, o grande “desafio agora, sim, o chamado, é para que eu mesmo me torne o Pai (...) é o apelo para que me torne o pai que acolhe e deseja festejar” (p.129).
Ainda não acabou, pois o autor conclui de uma maneira ainda mais particular com o título Tornar-se o pai. Quase que resumidamente transmite a mensagem geral do livro, como se fosse um sermão baseado no livro, descrevendo e dando diretrizes para o enfrentamento deste desafio. Nouwen é sincero, como também transparente em cada capítulo, ele se expõe sem medo e a partir desta perspectiva franca, de ser pessoal, de mostrar em que sentido está relacionando-se com cada personagem. Eu decidi acrescentar um e-mail que recebi de um antigo professor de filosofia, que muito acrescentou ao que sou, inclusive na minha opção por teologia, pois muito de suas reflexões são teológicas, é admirador e estudante de Paulo Freire e de Leonardo Boff e muito aplica ao seu dia-a-dia a Teologia da Libertação.
O e-mail que me mandou foi assim:
“Olha, eu li o livro do Carlos Rodrigues Brandão com o título Aprender o Amor, onde ele trata do tema considerando a Religião, a Filosofia, e a Ciência e também a literatura, principalmente a poesia! Deste livro tirei a seguinte frase: "Mulheres e homens, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos pertencem ao mundo do mistério da vida, antes de pertencerem ao dos problemas da sociedade"!
Sabe Pri, quando as pessoas são consideradas a partir do mistério da existência são percebidas como sagradas, e desta percepção- sentimento nasce uma maneira de conviver que vem de dentro, que se sustenta no melhor do humano, onde manipulação, desonestidade ficam impedidas radicalmente.
Quando perdemos essa sensibilidade de olhar a sacralidade das pessoas, da vida, da natureza, vamos ficando insensíveis e cruéis. Mas o contrário do amor não é o ódio, pois este é muito destrutivo para própria pessoa que "odeia"! Então o contrário do amor é o medo, que esvazia a disposição de reconhecer o outro como sagrado, como mistério, como digno! No medo, o outro é de antemão uma ameaça! E já que estamos próximos do Natal, sabe por que Deus se fez uma criança? Por que criança é frágil, não constitui ameaça nenhuma, pelo contrário, inspira todo cuidado e ternura!
Neste domingo de sol estou meio poético e feliz também!
Grande abraço pra ti Pri!!
Eu respondi da seguinte maneira:
Fazendo a resenha (crítica) do livro: A Volta do Filho Pródigo: a história de um retorno para a casa, de Henri Nouwen lembrei-me deste email e tendo encontrado-o também compartilho com você, no terceiro capítulo que retrata justamente da volta do filho mais jovem, assim está escrito: “Não é a criança pobre, meiga e pura de coração? Não chora a criança por qualquer dor que sinta? Não é  o intercessor faminto e sedento de justiça e a vítima final da perseguição? E o que dizer de Jesus, a Palavra de Deus feito carne, que se formou no útero de Maria durante nove meses, veio ao mundo como uma criança venerada por pastores da redondeza e por homens de terras longínquas? O filho eterno tornou-se uma criança de modo a que eu pudesse voltar a ser criança e retornar com Ele ao Reino do Pai. “Em verdade, te digo”, disse Jesus a Nicodemos, “quem não nascer do alto, não pode ver o Reino de Deus”.
Simplesmente copiei o texto, mas o juízo que pretendi fazer aqui, quem fez na verdade foi meu professor, pois o medo nos aprisiona e inclusive nos afasta de Deus, entretanto, “Deus é amor e no amor não há medo, antes o amor lança fora todo o medo”, mas quantas vezes eu não ajo como uma criança com medo de apanhar do pai e por medo, não por amor, tomo minhas decisões, mas o amor de Deus é libertador!
E o trecho que ele diz que não devemos perder a sensibilidade de olhar a sacralidade, ou seja, a beleza de Deus na criação, reconhecer que o ser humano é a imagem e criação de Deus, nós erramos e perdemos a capacidade de amar “ficando insensíveis e cruéis”.
Recomendo o livro pela sua estrutura narrativa muito fácil de identificar, que revela uma ótima didática pedagógica. Onde as três personagens por mais distintas possuem semelhanças cabíveis a todo ser humano, que ora se assemelha mais a uma, ora a outra personagem. Possibilitando, desta maneira, uma familiaridade com cada uma independente da fase em que se encontra. Assim, recomendo o livro a cristãos estudantes de licenciatura, devido a ótima didática, já mencionada, e suas profundas reflexões que cooperam para cada indivíduo, tanto como aluno, como professor ou ainda como uma “pessoa comum”, que esteja fora do ambiente acadêmico.  


Para quem não teve ou não tiver a oportunidade de ler o livro, esta resenha ajuda bastante para compreender as reflexões do nosso grupo e, para um melhor entendimento, inserimos aqui a reprodução da tela de Rembrandt (das várias que possuo, esta é a que se apresenta com maior nitidez), que foi a inspiração e a causa da jornada espiritual traçada e cumprida por Henri J. M. Nouwen:



Falar, refletir e meditar individualmente sobre a obra de Nouwen, por si só, não é uma tarefa tão fácil. As profundas reflexões do Autor nos levam a questionamentos muitas vezes doloridos, em razão de nossa conduta pessoal nesta caminhada terrena. O próprio Nouwen faz confissões inimagináveis em seu traçado espiritual. De forma que, apesar de nossas tentativas leais de transcrever nossas próprias reflexões, devem os leitores levar em conta tais limitações próprias do ser humano, das dificuldades inerentes a cada um de falar sobre suas próprias experiências e transportá-las para a escrita. Na publicação destas reflexões não citaremos o nome de seus autores, para preservação de suas individualidades, identificando-os apenas por numeração (Texto 01, texto 02,...). De qualquer sorte, vamos à reflexões do grupo:     
Gazato

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A volta do Filho Pródigo.
(Reflexão de leitura até a página 46 do livro)

O Filho Pródigo, o Pai e o Irmão...

Antes de começar a ler o livro, quando me apresentaram o quadro de Rembrandt, exteriormente, sem maiores reflexões, pela história conhecida da Bíblia, a parábola do Filho Pródigo, imediatamente me identifiquei com o personagem “central” do quadro, da parábola... o Filho, uma vez que até então me parecia absolutamente improvável qualquer semelhança com o Filho mais velho e menos ainda com o Pai, por razões distintas, passando então a pensar nos outros personagens do quadro, como a dos “empregados” (não sei dizer se são os empregados do pai que assistem a cena), talvez, de forma inconscientemente, fugindo de uma análise mais profunda do quadro para não se comprometer com a mensagem transmitida pela parábola, pois é mais fácil o perdão aos que ignoram por pura ignorância do que aos que aceitam o desafio de encarar sua própria ignorância, com seus erros, acertos, defeitos e virtudes.
Entretanto, após ler as primeiras páginas do livro de Nouwen, todo esse “entrave” interior, que pode mesmo ser inconsciente e ou pura preguiça de pensar mudou minha posição no triângulo central do quadro. Se antes pensava que nunca poderia me identificar com o Filho mais velho, hoje, admito a hipótese (e bem provável), ainda que em raras ocasiões de eventualmente me portar como o Filho mais velho, julgar e condenar como o Filho mais velho, pois necessariamente não é preciso estar nos trajes, na suposta posição superior, nem mesmo no poder para sermos exatamente como o Filho mais velho, ou seja, prepotentes, donos da verdade, arrogantes e falhos no ato de amor maior, qual seja, a misericórdia, a compreensão do outro como apenas humano como eu, como um ser inacabado, em construção, imagine então, quando estamos no “poder”, tão falhos podemos ser no quesito maior Cristão, qual seja, a misericórdia.

De outra banda, ao ver os desacertos e até “arrogância” (ignorância/imaturidade) do Filho mais novo, também não posso mais dizer que me identifique com ele, senão, quando me volto ao Pai, tal qual ele, perdido em minhas próprias misérias humanas, porém, não posso me identificar com ele na busca superficial de sua jornada, pois penso que de certa forma sempre busquei algo mais que as aparências, sempre procurei meus ideais acreditando que o homem vale pelo que é e não pelo que tenha, pelas aparências, embora não possa negar que o mundo tenha me vendido muitos frascos de perfumes franceses “falsos”, que o mundo venda muita ilusão que nos desvia da verdadeira caminhada, rsrs...que acreditei em alguns pela aparente boa intenção, pelo intelecto, pelo conhecimento, e talvez, o pior, acreditei nisso como modelo, o que não deixa de ser uma falsa ilusão sobre o rumo da caminhada que se deva tomar, entretanto, não quero me identificar com o filho pródigo, nem com o Filho mais velho e está  é a novidade do livro, rs. Quero me identificar com o Pai, o autentico valor a ser perseguido, almejado é nele que está a verdadeira paz. Mas não sei se isso é possível enquanto humanos, mas é o único modelo a ser buscado e seguido para voltar à casa do Pai, é ser o Pai da parábola.
Como o autor, nunca pensei que pudesse me identificar com o Pai, o Pai da parábola, o Pai do quadro de Rembrandt, mais é exatamente nessa identificação, com o Pai misericordioso, com o Deus dentro de mim que sou realmente e verdadeiramente FELIZ, é nele que acolho e sou acolhida e é nele que sou plena de amor, pleno como ser humano e nele que sou forte, e é somente nele, ou melhor, sendo o Pai, que posso me realizar de forma plena, sem medos. Não é encontrando o abraço do Pai, mais sim o “Pai” dentro de nós, é sendo como o Pai que somos finalmente LIVRES para amar, não para sermos amados, pois já nascemos amados, mais de alguma forma nos esquecemos disso.
Bem, por hora é isso, que o livro me diz, é a terceira obra de arte da parábola, do quadro, a obra da revelação das obras antecedentes ao mundo que as ignora na sua magnitude e grandeza de mensagem/revelação.
Se parasse de ler aqui, página 46, muito já teria sido me revelado, mais como tenho a obra inteira, graças aos amigos deste curso que se colocaram a serviço junto a quem lembrou – se desta obra maravilhosa, vou continuar a ler e descortinar o véu daquilo que ignoro existir no eu próprio do meu ser, cujo autor do livro, não sem muito sofrimento, me ajuda a revelar dentro de mim mesma pela leitura de seu livro.
É como dizem os antigos, a verdade estava ali o tempo todo e a gente parece que insiste em não ver...por isso a necessidade dos Profetas, escritos, a revelação e a Evangelização.

Texto 01

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CHAMADOS A “SER PAI” PELA “TEOLOGIA DA MISERICÓRDIA”

Entre o amor e a espera, quantas palavras foram resumidas naquele abraço...

Extasiados ainda pela contemplação do quadro de Rembrandt, pela reflexão da parábola contada por Jesus, no Evangelho de Lucas e pelo encontro de vidas, que se opõem e que ao mesmo tempo se identificam tanto, temos realmente que admitir: somos chamados a “ser Pai”. É preciso ter a coragem de tomar a vida nas mãos e assumir as atitudes do pai da parábola, e o livro de Nouwen com sua história abre nos caminhos de acesso à essa teologia da misericórdia.
Além de essa história nos revelar coisas extraordinariamente belas e iluminadas, fundamentais para compreendermos onde está o segredo da beleza e da alegria de viver.
Poderíamos partilhar sobre muitas coisas, mas destaco algumas questões que me chamaram a atenção e que ainda me fazem pensar/estudar, e nessa oportunidade podemos refletir aprofundar e comungar alguns sentidos:
Estamos acostumados com o protagonismo do filho mais novo que quer sua liberdade, quer dirigir a própria vida, independente do Pai, afastando se para fazer a experiência da independência, do amor, da liberdade, da própria auto-realização e do personagem chave que é o Pai, que rico em amor e misericórdia espera contra qualquer esperança os filhos perdidos.
Porém o filho mais velho torna-se uma figura interessante (penso que talvez seja o que mais nos ensina), inclusive no quadro de Rembrandt ele ganha destaque com seu ar de fidalguia e que acredito Nouwen com toda sua peregrinação interior também quis mostrar.
Ele representa àqueles a quem Jesus dirige a mensagem: os fariseus que se acham justos e que criticam o comportamento de Jesus com os publicanos e pecadores... E, é claro, todos nós quando temos atitudes e comportamento de quem se acha mais merecedor da graça porque cumpre direitinho os regulamentos. Em sua fisionomia podemos observar que não há nenhuma abertura para a gratuidade, a comunhão, a festa da reconciliação, ao recusar a acolher o irmão. Era o filho considerado bom, ou pelo menos melhor que o irmão, mas que depois revela um coração distante do coração do pai revelou a maldade, o ciúme e a hostilidade latentes, que vieram à tona, quando caiu a máscara da bondade cotidiana. Sua fragilidade/fraqueza consiste em estar em casa, mas seu coração não está em casa com o pai, mora com o pai, mas seus sentimentos estão longe do sentimento paterno. Vive com o pai, mas não ama como o pai ama. Não fazia o mal, mas também não fazia o bem... Por sua dureza de coração, talvez fosse pior que o irmão.
Observamos que ele nunca se opôs ao pai, sempre foi obediente, mas sua obediência corria o risco de ser uma obediência servil, sem liberdade, isto é, não escolhida, e por isso, como irmão o irmão mais novo fica sozinho quando não tem mais nada para gastar; ele, no final do dia de trabalho, também não esta feliz por ter feito o seu dever. Na verdade, ele não se sentia filho, se sentia um servo, estava querendo um pagamento, não trabalhava por amor ao pai, mas esperando uma recompensa.
No fundo os dois eram absolutamente iguais. Ele também queria receber sua parte na herança, queria fazer festa com os amigos. Só não teve a coragem do irmão mais novo. Talvez tenha sido essa sua grande mágoa. Sentia-se injustiçado, afinal de contas, ele nunca tinha transgredido uma ordem do pai. Ele esta cobrando o preço do seu bom comportamento, da fidelidade a casa paterna, dos anos de serviço prestado, enquanto o outro caiu na farra...
Sua comunhão com o pai é rompida não por uma vida devassa, mas por uma compreensão servil, farisaica. Na sua cabeça, a noção de direito e dever, obrigação, proibição não esta aberta para a possibilidade de compreensão, para um amor que perdoa, por isso não se alegra e torna-se incapaz de festejar, de ter acesso ao luminoso banquete do perdão. Também se colocou “fora de casa”, distanciando-se afetivamente do pai ao não querer ser irmão. O pai respeita sua liberdade, como fizera com o outro, fica triste e enfrenta a dureza de coração do filho com a única arma que possui: a arma do amor, a arma do perdão.
Fica claro que ambos não podem salvar-se por forças próprias, com sua justiça, têm de experimentar passar pelo amor gratuito do pai, pela comunhão com o Pai. E o caminho da comunhão passa pela conversão, é olhar o comportamento do pai da parábola com os olhos do amor de Deus. Deus nos olha sempre com os olhos de um coração que dá tudo gratuitamente e perdoa tudo e a todos sem excluir ninguém. Deus não nos ama por causa de nossos eventuais méritos. Ele nos ama porque é infinitamente bom. A conversão começa quando acolho o outro como meu irmão, então passo a sentir suas dores, a compreender suas fraquezas, a defender sua vida. É passar do egoísmo para a doação, do fechamento à partilha, do rancor para o amor...
Nessa parábola, Jesus rejeita totalmente a relação comercial com Deus, daquela mentalidade de quem acha que determinado serviço (orações, atos religiosos, cumprimento de preceitos...) corresponde uma recompensa. Esse tipo de relação não deixa espaço para o que há de mais bonito no amor de Deus: o dom, a bondade gratuita, a generosidade, a graça que é de graça.
Por isso, concordamos com o autor de que a experiência da volta para o Pai deve seguir-se a experiência de ser pai e mãe para outro. Devemos deixar de ser filhos dependentes, de buscar gratificações infantis, de comportar-nos com maturidade e converter-nos em pais: pela prática do amor paciente, vulnerável e compassivo. Sem essa prática, no seguimento de Jesus nosso itinerário espiritual ficará incompleto. Assim, os dois filhos que vivem em mim podem transformar-se pouco a pouco no pai misericordioso.

“Para me tornar como o Pai de quem a única autoridade é a misericórdia, tenho de verter inúmeras lágrimas e assim preparar meu coração para receber qualquer pessoa, não importa qual tenha sido a sua jornada, e perdoá-la com esse coração.” (p.141)
“Devo confiar que sou capaz de me tornar o Pai que sou chamado a ser.” (p. 140)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Amor Sem Limites – A Parábola do Pai Misericordioso. CNBB  Rumo ao Novo Milênio. São Paulo: Paulinas, nº 42, 1999.
BARREIRO, Álvaro. A Parábola do Pai Misericordioso. São Paulo: Loyola, 1998.
COMASTRI, Ângelo. Tu és Trindade. São Paulo: Paulinas, 2000.
NOUWEN, Henri J. M. A volta do Filho Pródigo A história de um retorno para casa. São Paulo: Paulinas 1997.
PE. Leo, SCJ. Os Filhos Perdidos In: Corações Curados. São Paulo: Loyola, 2001.
Deus Pai – Comissão Pastoral e Missionária do Grande Jubileu do Ano 2000. São Paulo: Paulinas, 1998.
Deus Pai de Misericórdia – Comissão Teológico-Histórica do Grande Jubileu do Ano 2000. São Paulo: Paulinas, 1998

Texto 02

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Sobre a história de um retorno para casa

Depois de ler NOUWEN, Henri. A volta do filho pródigo. São Paulo: Paulinas, 1997, aí vão algumas notas, partilhando com vocês.
Em primeiro lugar, admirei que o trabalho leva a uma reflexão espiritual a partir de uma obra-prima da Arte universal. É maravilhoso reconhecer o quanto a Arte pode abrir nossas mentes, através de um quadro, uma escultura, uma música, uma peça de teatro, um filme ou um texto literário.
Ao ler a parábola e iniciar uma reflexão, começa-se a pensar: Com quem nos identificamos nessa parábola? Com o filho mais novo? Com o filho mais velho? Ou será com o pai? Como o autor mostra, são várias as possibilidades, todas ricas de informações. Vamos começar pelo filho mais novo.
A partida do filho mais jovem mexe com todos nós, mostra situações pelas quais todos nós passamos em alguma ocasião e nos coloca frente a grandes  paradoxos. Primeiro: se saímos para procurar nos encontrar, por aquela vontade de conhecer mais, de não concordar com o que estamos vivendo, querer mais, o quanto estaríamos com isso nos afastando e abandonando nosso lar? Quando abandono o lar?  O que caracteriza esse abandono?
Tenho liberdade para sair, porém, não posso deixar que a saída me torne insensível à voz do amor, à voz do Pai. Estarei abandonando o lar, cada vez que não ouvir essa voz que me chama de Amado e passar a seguir outras que me oferecem e mostram outros caminhos.
Segundo paradoxo: se saí para procurar meu eu, minha personalidade, para voltar preciso me esvaziar do meu eu, me despersonalizar, me entregar. Aí é a parte mais difícil, que vai mostrar o quanto saí e me distanciei. Se estiver muito longe, não poderei ouvir a voz que me chama. E me distancio quando a minha vida tem menos afinidades com quem está à minha volta; quando não confio nas pessoas próximas; quando me sinto só, sem dignidade e passo a viver situações de morte – dispensável enumerar, pois são bastante conhecidas.
Lembro aqui da oração do Salmo 27(26):
Uma coisa peço e só esta procuro:
É habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida”.
A volta para casa só acontece no momento em que o filho mais novo se reconhece como filho, apesar de ter estado tão longe e praticamente haver perdido tudo o que o ligava à casa do Pai. Para voltar, optou por viver. É a grande escolha. Porém, esta volta, implica em vencer uma série de pensamentos a respeito de como considera o Pai. E pensa: será que a volta vai precisar de uma explicação? Será que serei bem recebido?  Vai haver alguma condição? Haverá algum castigo? O que significa ser perdoado?
É então que começa a entender em que consiste receber o perdão, que “exige uma absoluta aceitação para deixar Deus ser Deus e fazer toda a cura, restauração e reparos” (p. 59). É aquela entrega, se reconhecendo como filho. Depois de tanta procura para ser “eu”, é um dos pontos mais difíceis de alcançar, pois necessita da entrega total, do esvaziamento e, principalmente, o do se tornar criança. No Evangelho de Mt 18, 3. Jesus não pede para nós continuarmos a ser crianças, mas que nos transformemos em crianças, “Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”. Outro trecho que nos ajuda muito é o das Bem-aventuranças: “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino do Céu”. Mt 5, 3. O que significa “pobres em espírito?”
Terminando o capítulo, o autor faz uma interpretação original, para mim inteiramente nova: coloca Cristo como o filho pródigo, pois a volta do filho e a de Cristo são uma, assim como a morada na casa do Pai. Não há caminho para o Pai fora de Cristo.
“O jovem que o pai abraça não é mais um pecador arrependido, mas toda a humanidade voltando a Deus” (p. 64-5).
É a síntese da história da nossa salvação, chegar ao Pai por Cristo.

Texto 03

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Sobre o filho mais velho

O que mais me chama a atenção no que se refere ao filho mais velho na parábola são dois fatos:
1) ele não parece convicto das escolhas a que nos leva a vida espiritual;
2) ele não tem alegria.
Alguém que não viva as escolhas, terá realmente realizado isso em alguma ocasião? A percepção da vida que se renova a cada dia, traz novos desafios, muitas dificuldades. Porém, é justamente aí que se mostram as escolhas de um cristão. E como esse filho mais velho responde a isso? Com ressentimento, ciúme, raiva, amargura e queixas sobre tudo. Nas situações em que precisa agir, o faz com julgamento e condenação. Vai em um crescendo, pois cada sentimento leva a outro.
E assim ele se afasta do pai.
Mas, se ele trabalha, cumpre todas as suas obrigações, obedece como dever. Será isso suficiente? Parece que ele próprio se acha justo. É então que me lembro do Evangelho de Mt 5, 20: Se a  justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céu. O que faziam os doutores da Lei e fariseus? Seguiam a lei ao pé da letra. Porém, Cristo veio para nos ensinar a fazer mais do que isso, ir além do que diz a lei, alargar os horizontes.
A alegria que falta ao filho mais velho não se trata apenas de estar alegre e contente, não é isso. É aquela confiança, é aquele sentimento de que nós nos conhecemos e em qualquer situação saberemos nos dominar, o que nos levará à paz. Paz que é a presença de Cristo em nós, que só poderá crescer se a dividirmos com os irmãos. Quando se fala de alegria, é dessa presença.
É na falta dessa alegria, mais um ponto em que esse filho se afasta do pai.
Como Jesus disse a Nicodemos em Jo 3,7: Não se espante se digo que é preciso vocês nascerem do alto.
A falta de alegria também está ligada a fazer tudo repetidamente, deixar que a rotina avance e tome conta das ações. É aquele fazer tudo que é preciso porém, sem entusiasmo, sem prazer, sem criatividade. Isso levou o filho mais velho a não reconhecer o irmão, pois se refere a ele como “este teu filho”, tal era o grau do ressentimento que alimentava.
Mais uma vez se distancia do pai e da sua casa.
O pai deseja a volta dos dois filhos, está pronto para isso na sua misericórdia. Vai depender só de cada um. Se o mais jovem já conseguiu o perdão, o que falta ao filho mais velho?
A volta dele passa por se aceitar, se perdoar e se entregar confiantemente ao pai, que o espera de braços abertos.
Como no capítulo anterior, o autor coloca Cristo também como o filho mais velho, segundo o Evangelho de Jo, 14, 11: Acreditem em mim: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Porque é enviado para revelar Deus a todos os seus filhos e se ofertar como o caminho de (volta) para casa (p. 97).
Texto 04

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DIGNIDADE DOS FILHOS DE DEUS

É preciso fazer festa: “Trazei-me depressa à melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei-me também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa” (Lc 15, 22-24).

     Em toda narrativa bíblica, o ser humano é o ápice da obra da criação. Ele é a única criatura na terra que Deus quis em si mesma, pois é capaz de conhecer e amar o seu Criador, só ele é chamado a compartilhar, pelo conhecimento e amor, a vida de Deus, por isso foi criado, residindo aí à razão da sua dignidade.
Sendo criado à imagem de Deus, tem então dignidade de pessoa: ele é alguém e não alguma coisa, vale pelo que é, e não por suas posses.
“Por ser a imagem de Deus, o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas alguma coisa, mas alguém. É capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente e entrar em comunhão com outras pessoas, e é chamado, por graça, a uma aliança com seu criador, a oferecer-lhe uma resposta de fé e de amor, que ninguém mais pode dar em seu lugar”. (CIC 357)
Desse modo o ser humano ocupa lugar especial no universo, e deve ser tratado e considerado, amado e respeitado em todas as suas dimensões: biológica, social, psicológica e espiritual. Dada a sua natureza, a pessoa torna-se princípio de suas próprias ações, podendo decidir sobre seu destino, pois é capaz de conhecer os fins e os meios que a eles conduzem e fazer suas opções em diferentes possibilidades.
Deus concede à pessoa humana a liberdade como um modo de autonomia, pela qual a partir do seu próprio interior assumir a responsabilidade de seu ser e de seu destino. A liberdade humana é respeitada pelo próprio Deus, por isso, fundamento e expressão da dignidade humana. Assim, negar a dignidade é negar a personalidade de uma pessoa, e apagar a dignidade é ocultar a face humana de ser único e irrepetível.
Diante do exposto, ao contemplarmos a fisionomia do pai, compreendemos a sua alegria em acolher o filho que volta, devolvendo-lhe a sua dignidade, manifestando-a de muitos modos a sua alegria.
Na verdade a volta do filho começa a acontecer quando ele reivindica sua filiação, quando percebeu que perdera toda a dignidade que possuía, num sentimento de ter perdido algo em comum. Essa noção de perda é o que o chama à realidade, dando-se conta que estava no caminho da morte. Foi exatamente nesse instante que ele faz sua opção pela vida, compreendendo que não era um porco, mas um ser humano, um filho de seu pai.
Foi à certeza do amor do pai que o fez pensar em voltar. O amor da casa paterna foi o que sobrou quando tudo tinha acabado. O amor verdadeiro é sempre a única coisa que fica quando toda a superficialidade e toda aparência vão embora. O pai não é aquele que pede que impede, que cobra, mas é aquele que dá uma liberdade incondicionada, que ama, ama porque é infinitamente bom.
O pai sempre esperou por esse momento, tinha saudade e essa saudade explode numa grande alegria: É preciso festejar! Então...
O pai o cobre de beijos e abraços, não o beijou na face, como um amigo beija outro amigo, mas o beijou no pescoço, para quebrar o jugo que o prendia; esse beijo fala mais do que mil palavras de perdão, a acolhida, a alegria de recebê-lo de volta;
O pai manda trazer para o filho a melhor túnica: Que lhe devolve sua dignidade e seu valor, e que representa na tradição cristã a salvação que lhe é concedida ou a nova situação, a nova vida. A melhor túnica, no caso, significa: aquela mesma túnica que o filho tinha antes de sair de casa.
O pai põe-lhe um anel no dedo: Que significa a plena condição de herdeiro, com todos os direitos, símbolo de poder, que o pai novamente lhe entrega na sua casa, inclusive de representá-lo e selar contratos, é sinal de aliança.
O pai coloca sandálias nos pés: Que representa a condição de homem livre e de senhor da casa, distinguindo-o dos escravos, que andam descalços. As pessoas de condição elevada calçam sandálias. Caminhar calçado pela casa significa posse. O filho voltou a ser dono do que antes era seu.
O pai faz uma grande festa: Que expressa não só a alegria, a paz e a comunhão dos que estão juntos, mas também a comunhão deles diante de Deus e com Deus, sinal de acolhimento, reconciliação e salvação. A festa é o convite para a intimidade/comunhão com o Pai. Por isso é preciso celebrar! Estar morto é viver longe da casa do Pai, da sua misericórdia, do seu perdão, do seu amor. Tornar a viver é recuperar a intimidade/comunhão com o Pai.
Ser acolhido nos braços do Pai é ser transformado por Ele, é reencontrar a sua amizade/intimidade, a nossa dignidade, a condição de filhos que honram o pai. É encontrar a verdadeira felicidade, a alegria que todos sonham e não encontram no caminho das ilusões...

Precisamos aprender a fazer a festa!
Sempre é tempo para nos lançarmos nos braços do Pai, haja o que houver...

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Amor Sem Limites – A Parábola do Pai Misericordioso. CNBB Rumo ao Novo Milênio. São Paulo: Paulinas, nº 42, 1999.
Catecismo da Igreja Católica (CIC 357 p. 92) São Paulo: Vozes 8ª ed. 1998.
CNBB, Campanha da Fraternidade 2003. Vida, Dignidade e Esperança. P. 36-37.
______, Seguir a Jesus a cada dia, Roteiros para as celebrações do Tempo Comum/Coleção Ser Igreja no Novo Milênio, 3ª parte p. 29, 2001.
NOUWEN, Henri J. M. A volta do Filho Pródigo A história de um retorno para casa. São Paulo: Paulinas 1997.
PE. Leo, SCJ. Os Filhos Perdidos In: Corações Curados. São Paulo: Loyola, 2001.

Texto 05

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PELAS MÃOS DA TERNURA E DO CUIDADO

A filosofia nos ensina que nada existe em nossa mente que não tenha passado primeiramente pelos nossos sentidos, desse modo envolvidos que estamos pelos textos e pela obra de Rembrandt não poderíamos deixar de reparar e impressionar com a expressividade das mãos do pai e devanear em nossas reflexões e subjetividade:
A mão, órgão humano por excelência, é o único que toca todos os outros; é o órgão da “ternura e do cuidado”. A ternura é o modo como demonstramos afeto às pessoas e as relações; é um conhecimento que vai além da razão, que intui, vê fundo e estabelece comunhão, como força própria do coração no desejo mais profundo de compartilhar caminhos. É aquela atitude tão bem retratada pelo Pequeno Príncipe: “Só se vê bem com o coração”. O coração consegue ver além dos fatos, por isso vale dispender energia e tempo. Leonardo  Boff com sua também terna literatura descreve bem isso, conforme segue:
Tocar com a mão significa que você pertence à família humana e não é rejeitado: mão que acolhe, mão que afaga, mão que estabelece relação, mão que acalenta, mão que traz quietude, mão que acaricia. A mão que acaricia representa o modo de ser cuidado, pois a carícia é uma mão revestida de paciência que toca sem ferir e solta para permitir a mobilidade do ser com quem entramos em contato. Por isso a mão não é simplesmente mão. É a pessoa humana que através da mão e na mão revela um modo de “ser cuidado”. Uma mãe ao acariciar seu filho (a) comunica a experiência mais orientadora que existe: a confiança fundamental na bondade da realidade e do universo; a confiança de que, no fundo, tudo tem sentido; a confiança de que a paz e não o conflito é a palavra final; a confiança na acolhida e não na exclusão.
O cuidado consiste em esforços transpessoais de ser humano para ser humano no sentido de proteger, promover e preservar a humanidade, ajudando as pessoas a encontrar significado na sua existência.
A palavra “cuidado” deriva do latim “cura ou coera”, é mais que um ato; é uma atitude. Significa cogitar, pensar, dispensar atenção, mostrar interesse, revelar uma atitude de desvelo e preocupação para com o(a) outro(a). Em um contexto de relações de apreço e amizade expressa atitude de desvelo, preocupação, inquietação, de responsabilização e de envolvimento afetivo para com a pessoa querida.
Negar o cuidado leva à desumanização e ao embrutecimento das relações. Cuidar é a essência do ser humano.  O ideal do cuidado consiste, então, em uma atividade de relacionamento, de perceber as necessidades e responder a elas, de não se almejar “domínio sobre”, mas “convivência com”, em uma proximidade, uma acolhida do outro, sentindo-o, respeitando-o, empenhando-se na compreensão do outro e de sua realidade, saindo de si mesmo para abrir-se ao outro. É desse espírito que nasce a sensibilidade. Sem sensibilidade não há movimento de ida ao encontro do outro.
Daí nossa compreensão de que a sensibilidade não provém da razão, ela deriva da capacidade de captar a dimensão de valor presente nas pessoas e nas coisas. Por isso o decisivo não são os fatos em si, mas o que os fatos produzem de significações e valores para nós, enriquecendo-nos e transformando-nos.
Torna-se urgente, então, assumir o “Cuidado” como proposta ética, como atitude de solicitude e responsabilidade mútua nas relações e nas ações, porque as estruturas humanas e sociais se preocupam cada vez mais com o ter e menos com o “ser das pessoas”.
Todos nós queremos ser tocados, abraçados, acolhidos, perdoados, amados... É esse toque, que passa pelas mãos da ternura e do cuidado que salvarão a humanidade!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BOFF, Leonardo. Saber Cuidar Ética do Humano – Compaixão pela Terra. Petrópolis: Vozes, 4ª ed. 1999, p. 118-122.
______ Virtudes para um outro Mundo Possível Hospitalidade: Direito & Deveres de Todos. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 97-98.
ZOBOLI, Elma. Cuidado: No Encontro Interpessoal, o Cultivo da Vida. In: Revista Vida Pastoral. São Paulo: Paulus, jan-fev de 2011 – ano 52 –nº 276 p. 6-12.
                                                     Texto 06

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ABRAÇADOS PELO PAI

“O jovem que o pai abraça é toda a humanidade voltando para Deus”

O que tocou profundamente Nouwell e com certeza todos nós é o sentido da proteção segura e afetuosa que tanto desejamos em nossa vida, que inspiradoramente Rembrandt com a força e a beleza de sua arte expressa nossa vontade de sermos abraçados também.
Aliás, Adélia Prado com toda sensibilidade sempre nos remete sobre as impregnações de religiosidade que os artistas transmitem em suas obras dizendo assim: “Toda obra de arte verdadeira, tem um fundamento de ordem religiosa, queira o autor ou não. Primeiro, trata-se de uma atividade da vida simbólica, pois a criação artística é da esfera do simbólico. Os procedimentos da fé e da mística também são dessa natureza. Então, estas duas experiências, estas duas atividades têm um fundo comum. Ainda que o autor se proclame agnóstico ou ateu, a obra o contradiz, porque está acima disso e, queiramos ou não, tem esse fundamento de natureza transcendental, que nós podemos chamar religioso.”
Nesse sentido, podemos de fato encontrar nessa aventura espiritual, através de uma obra de arte e seu artista, de uma parábola e do ser humano que busca o sentido da vida, fundamentação para uma teologia e uma cristologia contagiantes. Teologia porque nos mostra a ação de Deus e todas as coisas à luz do olhar de Deus e uma Cristologia, porque Jesus, como o Filho, revela a face do Pai e sua missão. Como diz Nouwell é o filho mais jovem sem ser rebelde, é o filho mais velho sem ser ressentido, é o modelo para que nos tornemos o Pai.
O comportamento de Jesus é também uma parábola viva do comportamento de Deus/Pai para com os seus filhos, explicitando e justificando o seu modo de proceder e de viver, cheio de ternura e misericórdia. A misericórdia de Deus está relacionada à mesma substância da Boa Nova proclamada por Jesus. A Boa Nova vem de Deus e revela qual é o seu projeto. É o plano da libertação, da salvação, da plenitude de vida para todos, para a família humana inteira, chamada a se renovar em Cristo e a se transformar em família de Deus. É o plano do amor misericordioso de Deus que chama toda a pessoa, a quem deu a vida, para participar da própria vida divina: como filhos do Pai, membros de Cristo, lugar onde habita o Espírito. Quem ama verdadeiramente é livre, quem ama respeita o próximo, acolhe, perdoa, não mente e não mata.
Este plano de amor de Deus para a humanidade leva toda pessoa a conhecer o Pai em Cristo e por meio do Espírito Santo; leva toda pessoa a reconhecer a dignidade da mulher, do homem; revela a plenitude de vida para a qual cada um é chamado; mostra o significado do mundo e o sentido da história, revelando um Deus/Pai que oferece seu amor, seu perdão e a comunhão com Ele a todos, sem excluir ninguém, mas oferece especialmente aos que mais precisam d’Ele: os pobres, os marginalizados e excluídos pela sociedade.
O que o livro de Nouwell nos ensina que o seguimento de Jesus não deve ser apenas uma opção pessoal, pois a pessoa só se realiza no relacionamento com os outros. Recebe dos outros apoio e força. Por isto, o verdadeiro seguimento de Jesus realiza-se na comunidade fraterna. A comunidade é um ensaio do Reino e nele aparece o que a Boa Nova quer significar para a vida humana. Nisso Nouwell compreendera porque A Arca se tornara tão importante para ele, encontrou sua inteireza e os mais profundos anseios do seu coração. O abraço do Pai se tornara tão real quanto nos braços dos mentalmente pobres.
Pessoalmente partilho com vocês de que toda essa “arte” gerou entre nós comunhão: de pensamentos, sentimentos, sensibilidades... e não só mostrou uma teologia e uma cristologia e por que não dizer também uma eclesiologia!
Que sejamos continuamente acolhidos, abraçados e abençoados por Deus/Pai de Misericórdia!
Em Cristo,

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
BARREIRO, Álvaro. A Parábola do Pai Misericordioso. São Paulo: Loyola, 1998.
DEUS PAI– Comissão Pastoral e Missionária do Grande Jubileu do Ano 2000. São Paulo: Paulinas, 1998.
NOUWEN, Henri J. M. A volta do Filho Pródigo A história de um retorno para casa. São Paulo: Paulinas 1997.
Texto 07
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O filho pródigo 3a. parte

            “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês”. Jo 15, 12.

Nesta leitura, a figura do Pai mexe profundamente com todos nós, na medida em que nos coloca diante de como é o Pai para nós. Como o entendemos? Nos tons escuros do quadro, salienta-se a luz que vem das mãos desse ancião, que conserva a chama interior que o ilumina e personifica o amor. Nas mãos do Pai podemos identificar todas as mãos que nos ajudaram, nos apoiaram, nos ensinaram, nos curaram, nos protegeram, nos perdoaram. A possibilidade de serem as duas mãos, uma a que segura e apoia e a outra, a que acaricia, nos abre para compreendermos que o Pai reúne as identidades de Pai e Mãe. Ele é tudo. Nunca havia considerado assim, é uma imagem muito forte!
O Pai quer a volta dos dois filhos, quer acolher os dois. Porém, é aí que se colocam as diferenças, assim como os dois filhos se mostram tão diferentes nas atitudes, a gente pensa, qual será a nossa atitude de querer voltar? A escolha é de cada um, pois apesar de amar tão intensamente os filhos, o Pai lhes deixa a liberdade de escolher.
Do jeito que vivemos hoje, para nós é difícil compreender esse amor do Pai. Nossa vida é cheia de comparações, de competições, de mais e de menos, medidos em todos os aspectos. É a nossa visão temporal para algo que não é temporal, é divino! Precisa ser pensado de outra forma, não a do nosso mundo. Se Deus nos ama, ele quer e espera a nossa volta. Esse ponto é chave para nossa conversão: só quando descobrirmos como é o amor do Pai pelos filhos, que não faz comparações, nem medidas, é um amor total e divino, ilimitado e incondicional, poderemos nos entregar em suas mãos e entender a pergunta: “Como me deixar conhecer por Deus”?
O encontro com o Pai é sempre festivo, traz alegria, é aquela alegria que chama tanto a atenção quando vemos a falta dela na atitude do filho mais velho. O Pai se alegra com a volta dos filhos e estes devem receber toda a alegria que vem dessa presença. A comemoração com uma festa e um banquete, como em Mt 22, 4: ‘Falem aos convidados que eu já preparei o banquete, os bois e animais gordos já foram abatidos e tudo está pronto. Que venham para a festa’.
Este é mais um ponto que nos lembra a atitude da criança, a alegria da criança, que nós vamos perdendo ao longo do tempo. Falando da satisfação que lhe traz o filho que volta, o autor se refere assim: “Tenho de assimilar esse ensinamento, tenho de aprender a me ‘apoderar’ de toda a verdadeira alegria que há para absorvê-la e apresentá-la para que outros a vejam” (p. 125). É uma disciplina, um aprendizado a se fazer. Dar importância a pequenos gestos, a momentos de perdão, a atitudes de acolhida!
No Evangelho de Jo 16, 15 lemos: “Tudo o que pertence ao Pai é meu também”. Assim, concluímos que essa volta traz um novo desafio: se foi preciso haver a atitude da criança para voltar, essa criança se torna adulta e o chamado é para que aquele que volta também se torne o Pai. É esse o apelo para ser festejado! Continuamos com Jo 15, 9. 11: “Assim como o Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor. Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.
Tornar-se o Pai é a conclusão surpreendente a que nos leva toda essa reflexão! O Pai que transmite aquela luz interior, aquele que é Pai e Mãe ao mesmo tempo, cujas mãos são iluminadas e traz no coração o único e verdadeiro amor, que quer também nos ensinar a ver e a viver. É a nossa Missão.
Texto 08

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Henri Nouwen


Por Jonathan Menezes

Padre, professor, psicólogo e escritor, Henri J. M. Nouwen nasceu na Holanda, em 1932, e faleceu em 1996, também em sua terra-mãe. Desde os cinco anos de idade, Nouwen falava sobre suas pretensões de ser padre, e ele estava decidido a isso. Formou-se em teologia e psicologia na Holanda, tendo sido ordenado pouco tempo depois, aos 32 anos, em 1957. Nouwen passou os primeiros cinco anos de seu ministério realizando algumas de suas notáveis ambições: estudou na renomada clínica psiquiátrica de Karl Menninger (EUA), lecionou nas universidades de Notre Dame e Yale e viajou muito como conferencista. Por sua ênfase ecumênica e relativamente aberta em relação à fé cristã, Nouwen teve o privilégio de falar tanto para católicos como para evangélicos, tendo trânsito livre entre estes dois grupos. Até hoje ele é muito respeitado e lido tanto em uma como em outra vertente religiosa. Certamente é um dos pensadores cristãos do século vinte que exercitou com maestria a arte de cruzar fronteiras. Como testemunha, Philip Yancey diz que “ele ignorava as recomendações de Roma para que apenas os católicos participassem da eucaristia, e a celebrava diariamente com amigos, alunos ou estranhos, onde quer que estivesse” (YANCEY, 2004, p. 304).
Após um período sabático de seis meses trabalhando com os pobres em países da América Latina no início dos anos 1980, mudanças fundamentais aconteceram em sua trajetória. Nouwen sempre se mostrou um cristão que se permitiu e admitiu passar por diversas conversões. Os pobres da América Latina foram parcialmente responsáveis por uma delas. Nouwen nutria até então uma visão mais intimista de espiritualidade, como interioridade, solitude monástica, em função da influência de mestres espirituais, como Thomas Merton, em sua jornada espiritual. Em 1982, ele teve a oportunidade de participar de uma classe ministrada por Gustavo Gutiérrez, em Lima, no Peru. Ali, aquele teólogo apresentou um primeiro esboço de suas idéias sobre uma espiritualidade da libertação, que logo iriam compor o livro Beber em seu próprio poço (1992). Foi um curso para agentes de pastoral, provenientes de diversos países da América Latina. “A espiritualidade descrita para aqueles cristãos latino-americanos”, testemunha Nouwen em seu livro Estrada para a paz, “não foi percebida como um modo de pensar estranho ou importado, mas como uma expressão do que eles já tinham conhecido em sua vivência diária do Evangelho” (NOUWEN, 2001, p. 178).

Isso é ainda mais significativo se pensarmos que o modelo de espiritualidade que recebemos no ocidente, tanto de católicos como de protestantes, reduziam-se a formas de religiosidade importadas de lá para cá, cujas expressões faladas, cantadas e vividas quase nunca correspondiam ao vivido e à realidade latino-americana (embora pudessem ser válidas em seu contexto, e não desprezíveis em seu todo). Gutiérrez, por sua vez, apresentou no referido curso não um itinerário espiritual do nada para alguma coisa, ou “de fora” para ser aplicado aqui, mas uma trajetória conhecida e familiar, por meio da qual aqueles jovens pudessem se dar conta de que já haviam encontrado o Senhor em suas próprias vivências e pela presença (talvez antes irreconhecível) de um Deus amoroso e gracioso no meio da luta pela justiça e pela paz.
Durante seu período na América Latina, Nouwen já vinha refletindo sobre sua vocação. Perguntava a si mesmo e a Deus em seu diário (Gracias, a Latin American journal, 2005): “O Senhor está me chamando para trabalhar na América Latina nos anos que estão por vir?”. Sua visão de espiritualidade, após esse tempo, havia mudado radicalmente. Segundo ele, sua intenção tinha sido de ir até lá para dar. Mas acabou recebendo de volta algo muito mais precioso do que podia oferecer, por seus tantos anos de sacerdócio. A marcha dos pobres mostrara-lhe outro tipo de sacerdócio, o de um compromisso mais profundo com Cristo, com os olhos fitos na realidade e os pés atolados na lama da história. Em seu relato dessa experiência, ele afirma:
Os pobres com quem convivi revelaram-me os tesouros de uma espiritualidade cristã que estivera escondida de mim em meu mundo abastado. Mesmo tendo pouco ou nada, eles me ensinaram a verdadeira gratidão. Mesmo lutando com desemprego, desnutrição e muitas doenças, ensinaram-me a alegria. We Drink from Our Own Wells é um livro importante não só por ser uma apresentação inteligente e perspicaz de uma espiritualidade latino-americana, porém mais ainda por ser um presente dos pobres que, por meio do ministério de solidariedade de Gustavo Gutiérrez, torna-se agora disponível para a conversão de nós que sempre nos consideramos auto-suficientes (Nouwen, 2001, p. 185).
Ao voltar para América do Norte, Nouwen recebeu convite para lecionar em Harvard, e passou a se engajar mais ferrenhamente em movimentos pelos direitos humanos, tendo a oportunidade de fazer o que ele chamou de “missão reversa”, por conselho do próprio Gustavo Gutierrez, que foi quem o ajudou a perceber que sua vocação era a de ser um profeta no mundo opulento. Nesse tempo, sua fama e prestígio como professor, escritor e conferencista já percorriam o mundo, e em todo lugar por onde passava era bastante respeitado. Todavia, tudo isto não bastava para amenizar o profundo vazio espiritual e as feridas pessoais que há muito carregava e que, com o tempo, só aumentavam; tudo isso combinado a uma vida de fama, glória, agenda lotada de compromissos e atividades mil, levando Nouwen a um ponto de colapso total num espaço de três anos.
Até que ele compreendeu, à luz da experiência de Jesus, que o caminho para subir é descer. Assim, abandonou sua brilhante carreira numa das melhores universidades dos EUA, para compartilhar sua vida com os necessitados, servindo em uma comunidade para pessoas com deficiências mentais, a Arca - O Amanhecer, em Toronto no Canadá. Sua vocação era mesmo entre os pobres, que viviam noutra espécie de miséria, revelando-lhe, contudo, a face da alegria e do poder de Cristo, escondidos por trás de suas vidas limitadas e sofridas. Conforme o próprio Nouwen disse em seus escritos, “ali ele não foi para dar, mas para receber; não por causa de 
excesso, mas por falta. Foi para conseguir sobreviver” (YANCEY, 2004, p. 306).

Alegrias conjugadas com as tristezas
Acredito que uma das principais virtudes que Nouwen cultivava — mais acuradamente a partir dos últimos 10 anos de sua vida, em que ele conviveu de perto com o sofrimento e as limitações de seus amigos da Arca — foi a de falar abertamente de suas próprias dores e feridas, não só através dos muitos livros que escreveu, mas também nos relacionamentos interpessoais, como testemunham algumas pessoas que com ele conviveram.
Ele afirma no livro Podeis Beber do Cálice que conviver diariamente com os membros deficientes da comunidade Daybreak o pôs em contato com suas próprias feridas e tristezas internas. Por outro lado, testemunha ele, “a alegria que surge ao viverem juntos em uma comunidade de fracos faz a tristeza não apenas tolerável, mas uma fonte de gratidão”. Nas palavras de Nouwen:
Minha necessidade de ter amigos, afeição e aceitação estão exatamente aqui para que todos possam ver. Jamais vivi tão profundamente a verdadeira natureza do ministério pastoral: estar com o próximo em compaixão. O ministério de Jesus é descrito na carta aos Hebreus como sendo de solidariedade com o sofrimento humano. Chamar a mim mesmo de padre, hoje, me desafia radicalmente a abandonar qualquer distância, todo e qualquer pequeno pedestal e toda e qualquer posição de poder, e me desafia a associar minha própria vulnerabilidade à daqueles com os quais vivo. E que alegria isso traz! A alegria de pertencer, de fazer parte de algo, de não ser diferente (1996, p. 40, 41).
Henri Nouwen diz que nossa concepção sobre a alegria é baseada no sucesso, no progresso e nas soluções fáceis para nossas mazelas e problemas. Volta e meia ouvimos na igreja que a alegria deve ser a marca distintiva do crente. Mas muitas vezes isso se torna algo do tipo “kit-viagem para o país das maravilhas com Alice e o coelhinho”, ou quem sabe não seria uma espécie de “selo de qualidade cristã”: se você tem, tudo bem, mas se não tem, algo deve estar errado com sua fé. Quantas vezes cheguei até a me culpar por ser induzido a pensar desse modo nada realístico com que a igreja trata de alegria e felicidade hoje, nada diferindo inclusive da alegria ópio que o mundo atual tem proposto, do sorriso estampado no rosto, pensamento positivo, muito dinheiro no bolso e “saúde pra dar e vender”.
Não preciso contra-argumentar muito pra dizer que isso, apesar de muito comum, é uma tola subversão do caminho de Jesus. Para Nouwen, o cristianismo de nossos tempos, hedonista, procura se desconectar completamente da realidade do sofrimento e da renúncia, ou mesmo da vida abnegada. É um cristianismo que busca vitórias sem esforços. Almejamos, de acordo com ele,
Crescimento sem crise, cura sem dores, ressurreição sem cruz. Não é de admirar que gostemos de assistir a desfiles militares e de aplaudir heróis que retornam, operadores de milagres e recordistas. Também não é de admirar que nossas comunidades pareçam organizadas para manter o sofrimento à distância. As pessoas são sepultadas de maneira a disfarçar a morte com eufemismos e ornamentação rebuscada (2002, p. 08).
Na visão de Nouwen, a maneira de Jesus é tão diferente. Ele não veio eliminar as dores, mas ajudar-nos a enfrentá-las com o realismo e a esperança que a vida nesse mundo requer, na perspectiva da graça e do amor de Deus, que padece junto com o sofrimento da humanidade. Ora, mas esse Jesus em nome de quem declaramos, determinamos, fazemos brados de vitória, repreendemos o inimigo, os infortúnios e as doenças que nos assolam, choramos, gritamos, esperneamos, rimos, batemos palma, rolamos no chão, declaramo-nos perdidamente apaixonados por ele, não é o mesmo Jesus que disse: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33)? E tudo isso, lembrando, ele disse aos discípulos para que estes tivessem paz. Porém, será que em nossa compreensão triunfalista da fé e ilusória da alegria, existe lugar para se conceber uma paz que não significa apenas “ausência de conflito”, mas que se faz presente especialmente nos lugares de dor? Como podemos ser honestos com a vida, com as pessoas, com Deus e com nossos próprios sentimentos diante das perdas, e ainda assim, celebrar?
Em lugar de toda a balbúrdia espiritualista, pensadores radicais como Nouwen nos convidam a abandonar a frivolidade do caminho fácil e também do fatalismo e desesperança, a deixar de lado nossos falsos gritos de “Hosana”, ao mesmo tempo em que oprimimos nosso povo fabricando ilusões religiosas e, com elas, crentes imaturos e doentes, para viver nos caminhos de Cristo, romper as cadeias que ele rompeu, sofrer nossas próprias dores, não só as inerentes à vida, mas também aquelas inseparáveis do exercício da fé cristã na vida. Nas palavras de Nouwen:
Cristo convida-nos a permanecer em contato com os muitos sofrimentos de cada dia e a experimentar o começo da esperança e da nova vida, justamente aí onde vivemos, no meio das feridas, dores, falência. (...) terei menor tendência a negar meu sofrimento quando aprender que Deus o usa para moldar-me e atrair-me para mais perto de si. Deixarei de ver minhas dores como interrupções dos meus planos e serei mais capaz de vê-las como meios de Deus fazer-me pronto a recebê-lo. Deixarei Cristo viver junto às minhas dores e perturbações (2002, p. 09).

O sofrimento que cura
Minha própria percepção é de que se Deus não é pessoal e, por isso, aberto para chorar comigo em minhas tristezas, tampouco será capaz de rir ao meu lado em minhas alegrias ou se regozijar na minha prosperidade. Em Jesus, assim como na experiência de Jó e de tantos outros, não consigo ver um Deus intocável e insensível de tão poderoso que possa ser, mas, por ser tão poderoso, enxergo um Deus que se “rebaixa” se for preciso pra ter compaixão e misericórdia da minha miséria e que caminha comigo, uma ou dez de milhas, tanto no contexto das minhas dores como de meus maiores prazeres, em meio a alegrias que se conjugam com tristezas.
Esse é o sentido da espiritualidade para Nouwen. Não se resume na simples idéia de realizar performances e sacrifícios para Deus, mas em convidá-Lo a entrar em nossas vidas de modo que Ele possa chorar com a nossa aflição ao mesmo tempo em que sofremos com as dores de Seu Filho e, consequentemente, compartilhemos do sofrimento do amor de Deus por um mundo ferido e proclamemos libertação. Conforme ressalta, “assim como Jesus, quem proclama a libertação é convidado não só a cuidar dos próprios ferimentos e dos ferimentos do outro, mas também a fazer de seus ferimentos uma fonte maior do poder que cura” (2001, p. 119). Para Nouwen, um ministro ferido pode e deve ser também um ministro que cura. Mas, para sermos “servos da cura”, antes é preciso identificar, entender e aceitar nossa própria dor.
“Nenhum ministro pode esconder sua experiência de vida daqueles aos quais quer ajudar”, afirma Nouwen, ao mesmo tempo em que não se pode empregar mal o conceito de ministro ferido defendendo uma forma de “exibicionismo espiritual” (2001, p. 127). Esse é um tipo de equilíbrio que este autor encontrou contra possíveis questionamentos daqueles que porventura acharem que o conceito de ministro ferido é mórbido e doentio, contradizendo, por exemplo, a idéia de autorrealização, autoestima, autopreservação, auto-auto etc., tão usadas no contexto pós-moderno (o que inclui as igrejas). Ou seja, vivemos nossas “vidas espirituais” como alpinistas de egos, parafraseando Philip Yancey.

Um modelo para este século
Como você já deve ter percebido, Nouwen concentrou seus escritos no fracasso e nas imperfeições, falando de dores, tristezas, perdas e feridas constantemente presentes em sua vida, arriscando-se a gerar comentários e críticas depreciativas daqueles que não compreendiam a vida, sobretudo a vida cristã, da mesma maneira.
Michael Ford, biógrafo de Nouwen, e o escritor Philip Yancey, que dedicou um capítulo do livro Alma Sobrevivente exclusivamente para falar de sua admiração por Nouwen e apontá-lo com um de seus mentores, afirmam que esse “espinho na carne”, essa profunda dor que ele dizia “encarar nos olhos” e sobre a qual fazia questão de falar em seus textos, possivelmente era resultante de uma homossexualidade reprimida e, não sem muitas lutas, renunciada. Enfim, o fato mais importante a se tratar com isso é que todos nós possuímos feridas; algumas estão expostas, outras escondemos o máximo para que ninguém descubra, nos julgue ou aponte-nos como sendo “menos espirituais” por isso. Outras, quem sabe ainda estão obscuras, num campo menos conhecido de nossas vidas.
Tenho de reconhecer que não estou acostumado e nem gosto de falar de minhas próprias mazelas, nem tampouco de expô-las para que os outros vejam. Mas aprendi com Nouwen que “defeitos e fidelidade não suplantam um ao outro, mas coexistem”. Com Philip Yancey, falando sobre Nouwen, também testemunho meu aprendizado de que sofrimento e alegria podem caminhar juntos, que Deus pode usar todas as situações de nossa vida, até mesmo a dor que nunca vai embora (YANCEY, 2004, p. 328). Até porque, como bem nos faz lembrar o apóstolo Paulo, “o poder se aperfeiçoa na fraqueza”, de modo que “quando sou fraco então é que sou forte (2 Co 12.9,10).
E por que esta espécie de ministro, defendida por Nouwen, pode ser chamado de um “ministro curador”, ou um “ferido que cura feridas”? Vou deixar que o próprio Nouwen responda com suas palavras, escritas no livro O Sofrimento que Cura:
É curador porque afasta a falsa ilusão de que integridade pode ser dada de um ser para outro. É curador porque não extrai a solidão e a dor do outro, mas convida a reconhecer sua solidão em um plano que possa ser partilhada. Muitas pessoas nesta vida sofrem porque estão procurando ansiosamente pelo companheiro, pelo evento ou encontro que as livrará da solidão. Mas, quando entram em uma casa de real hospitalidade, percebem logo que seus próprios ferimentos devem ser entendidos não como fontes de desespero e amargura, mas como sinais de que têm que caminhar para frente, obedecendo aos sons do chamado de seus próprios ferimentos (2001, p. 133).

Bibliografia (Livros de Nouwen e escritos sobre ele em português)

NOUWEN, Henri. Crescer: os três movimentos da vida espiritual. São Paulo: Paulinas, 2000.
______. Cartas a Marc sobre Jesus. São Paulo: Loyola, 1999.
______. Espiritualidade do deserto e o ministério contemporâneo. São Paulo: Loyola, 2000.
______. Podeis beber do cálice? São Paulo: Loyola, 2002.
______. Oração: o que é e como se faz. São Paulo: Loyola, 1999.
______. O Sofrimento que cura. São Paulo: Paulinas, 2001.
______. Adam, o amado de Deus. São Paulo: Paulinas, 2000.
______. A Voz íntima do amor. Uma jornada através da angústia para a liberdade. São Paulo: Paulinas, 1999.
______. Mosaicos do presente. Vida No Espírito. São Paulo: Paulinas, 1998.
______. A Volta do Filho Pródigo. A história de um retorno para casa. São Paulo: Paulinas, 1997.
______. Intimidade: ensaios de psicologia pastoral. São Paulo: Loyola, 2001.
______. O perfil do líder cristão do século XXI. Belo Horizonte: Atos, 2002.
______. Transforma meu pranto em dança. Rio de Janeiro: Textus, 2003.
______. Uma carta de consolação. São Paulo: Cultrix, 1982.
______. Nossa maior Dádiva. São Paulo: Loyola, 1997.
______. Memória viva. Apostolado e oração em memória de Jesus Cristo. São Paulo: Loyola, 2001.
______. Estrada para a paz: escritos sobre paz e justiça. São Paulo: Loyola, 2001.
______. Diário: o último ano sabático de Henri J. M. Nouwen. São Paulo: Loyola, 2003.
______. Ministério criativo. Brasília: Editora Palavra, 2008.
______. Tudo se fez novo: um convite à vida espiritual. Brasília: Editora Palavra, 2007.
SHAW, Lucy. Henri Nouwen: a escalada para Deus. In: YANCEY, Philip. & SCHAAP, J. C. Muito mais que palavras. São Paulo: Vida, 2005.
YANCEY, Philip. Henri Nouwen: o ferido que cura feridas. In: Alma Sobrevivente. Sou cristão apesar da igreja. São Paulo: Mundo Cristão: 2004.

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